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Infinitas possibilidades entre o caos e a calma

Lucia Righi

jornalista, curiosa, metida, contraditória por definição, daquelas que prefere o caos e a desordem pra se encontrar, que quer estar em todos os lugares ao mesmo tempo e sempre por dentro de tudo que acontece na volta e no mundo, que pretende ler os livros do mundo em uma vida. Um dia ainda dou conta

TIMING: Acerte os ponteiros

Perder o timing é fácil, difícil é encontrá-lo. Mas de tanto perdê-lo, acho que finalmente aprendi a reconhecê-lo. Sabe aquele momento em que surge uma inquietação e pensamos: A hora é agora?! Nem antes, nem depois, é preciso aproveitar o momento exato para que tudo saia da melhor forma possível. No mundo atual, é preciso ter timing.


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Perdi as contas de quantas vezes já perdi o timing só neste ano. Seja numa colocação, num trabalho, ou numa conquista. Muitas vezes deixamos passar aquele momento ideal por medo, a hesitação não nos permite agir. E depois de perder o timing, é difícil achar novamente a brecha para retomar. Já não cabe mais, parece que a coisa toda fica fora de contexto. Aquela frase que estava saindo pelo lábios um momento atrás, já não se encaixa no diálogo.

Ter timing é ter uma percepção aguçada para o senso de oportunidade. Encontrar o momento ideal. Não pode ser antes, nem depois. E esse sincronismo com o mundo é essencial para alcançar o sucesso em determinada ação. Saber a hora certa de entrar em cena, em que o sinal verde abre e a gente avança.

Estranhamente, sempre sabemos qual é, ou ao menos ficamos com a sensação de saber qual deveria ter sido. Não dá pra interromper o chefe ou tentar argumentar em meio ao seu mau-humor. É preciso esperar a ocasião mais propícia. O problema é justamente quando só vemos que aquele era um momento único, depois que ele passa. E daí, sabe-se lá quando essa hora oportuna vai surgir novamente diante de nós.

Quando mesmo que o mundo virou essa correria louca? Temos que estar sempre correndo na frente, agindo por antecipação, antevendo um futuro breve. Sempre em busca do que está em voga, seguindo modas ultra inovadoras. Não, não dá pra perder o timing.

Senão, já vem outra moda, outros interesses, outros assuntos pra se ocupar. Depois não tem mais clima, as pessoas já estão envolvidas com outras coisas, não nos dão ouvidos, o prazo já está curto, não dá mais tempo para a ação. E aquilo que a gente queria comentar, que estava amadurecendo aqui dentro de nós, na hora de pular pra fora, já não interessa mais. Ficou antigo. Perdemos o timing e aquela informação importantíssima foi pro vácuo dos assuntos do passado, já não tem relevância alguma. Passou.

Eu que trabalho com marketing, com textos, com moda e com jornalismo, estou sempre achando que perdi o timing. A gente tem que se obrigar a ser sempre visionários, ou agir meio no susto, sem pensar muito para a coisa funcionar. Se o trabalho tem que passar por uma série de aprovações já é suficiente para perder o timing. É tipo quando aparece a pessoa certa na hora errada, ou pessoas erradas na hora certa. Não fecha, não tem clima. Maldita birra do destino. É preciso acertar o timing das coisas.

Na incapacidade de aceitar a situação tal qual ela é, acabamos por vezes negando a realidade e demorando demais para partir para a ação. Uma demora mental que está mais no mundo das decisões, não dos fatos, mas que pode ser suficiente para ser avassaladora. E assim, me sinto sempre retardatária na corrida da vida, pensando no que devia ter feito e não dá mais tempo, porque o seu tempo já passou.

Eis o efeito colateral da vida moderna: um constante reagir, quase inconsciente, diante do mundo. Cada um de nós tem que ser um pouco senhor do tempo. Quando surge dentro de nós aquela inquietação que diz: “vai lá, a hora é agora”, é preciso se encher de coragem e dar o primeiro passo sem se deixar dominar pela preguiça ou inseguranças.

Às vezes penso que finalmente desvendei o mistério do mundo, esse sopro mágico de momento que passa voando por nós existe, sim. E, pasmem, ele pode durar dias. Mas infelizmente essa resposta também não é garantia para nada.

Só sei que oportunidades tão perfeitas são raras. É preciso esperar o momento exato para uma ação certeira, mas não esperar muito, senão pode ser tarde demais. E haja perspicácia. Go!


Lucia Righi

jornalista, curiosa, metida, contraditória por definição, daquelas que prefere o caos e a desordem pra se encontrar, que quer estar em todos os lugares ao mesmo tempo e sempre por dentro de tudo que acontece na volta e no mundo, que pretende ler os livros do mundo em uma vida. Um dia ainda dou conta.
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