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Infinitas possibilidades entre o caos e a calma

Lucia Righi

jornalista, curiosa, metida, contraditória por definição, daquelas que prefere o caos e a desordem pra se encontrar, que quer estar em todos os lugares ao mesmo tempo e sempre por dentro de tudo que acontece na volta e no mundo, que pretende ler os livros do mundo em uma vida. Um dia ainda dou conta

Quando chega a hora, precisa saltar sem hesitar

Amélie Poulain já sabia.


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Início de ano é tempo de reorganizar as ideias, rotina e objetivos. Se estávamos na correria em dezembro, em janeiro vem a bonança. Início de ano é momento de dar uma parada na vida, comprar agenda nova, fazer listas e pensar em como 'startar' projetos que foram abandonados ou que talvez nem tenham muita forma ainda.

Nesse ano, quero ser mais sincera comigo mesma. Me permitir mais, desfazer bloqueios internos, ficar mais na minha própria companhia, resgatar minha concentração. Conhecendo nossos limites, criamos alternativas para seguir adiante. E eu não quero ir atrás da perfeição, quero me aceitar imperfeita.

A gente sempre espera pelo momento certo, pela pessoa ideal, por uma felicidade utópica que nunca chega. E tem esse deslumbramento e exibicionismo alheio que nos perturba diariamente. Achamos que a nossa vez nunca vai chegar. Quero passar longe desses momentos construídos para as páginas do Facebook, e muito mais ser de verdade.

Quero fazer diferente, sentir a vida a flor da pele, buscar a crueza das coisas, deixar de querer conectar todos os fios e aceitar que nem tudo tem que ser óbvio ou fazer sentido. Quero mesmo é me despir de sentido. Quero muito menos nesse ano, para realizar muito mais. Quero simplificar, desmistificar o mundo. Tirar a mochila de pedras das costas para poder me sentir mais leve.

Quero resgatar o que é essencial. Trocar a ansiedade pela quietude, retomar minhas leituras diárias, quero criar meu playlist ideal, curtir o meu momento, dirigir cantando, sentir o cheirinho de café inundando a sala e ter momentos de papos cabeças e também de descontração com amigos. Quero menos coisas, e mais me sentir viva.

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A cada ano percebo o quanto a perfeição é estática, chata. O quanto a rotina nos esvazia em vez de completar, murcha até os mais desavisados, e acabamos permanecendo na zona de conforto por medo de arriscar, de não atingir tal perfeição. Quero aprender mais, meter mais a cara e errar mais. Quero menos rotina, quero ser surpreendida. “Quem é perfeccionista com a felicidade termina triste”, já disse o escritor gaúcho Fabrício Carpinejar.

Pra esse ano quero sentir as felicidades discretas, aquelas cotidianas que muitas vezes nem percebemos. Um abraço, um livro, a sobremesa favorita. Nossas pequenas vitórias diárias. Fazer da vida um apanhado de diminutos deleites. Quero alcançar o dito equilíbrio entre o certo e errado, o peso e a leveza, angels & demons. Quero mais coragem, suavidade e bom-humor. Que surjam mais desafios, que a vida gire ao meu redor e me mantenha em constante movimento.

O escritor francês Michel Houellebecq diz que “existe um momento para fazermos as coisas e ingressarmos numa felicidade possível, esse momento dura alguns dias, às vezes algumas semanas ou mesmo alguns meses, mas ele só se produz uma única vez, e, se quisermos voltar a ele mais tarde, é pura e simplesmente impossível”. Sim, podemos alcançar diversos tipos de felicidade, mas aquela, daquele momento específico, só aparece uma vez. Tem horas que o universo conspira a nosso favor, sentir esses momentos em que temos a chance nas nossas mãos e estar preparado para ser desestabilizado é o grande desafio.

“Quando chega a hora, precisa saltar sem hesitar”, Amélie Poulain já sabia.


Lucia Righi

jornalista, curiosa, metida, contraditória por definição, daquelas que prefere o caos e a desordem pra se encontrar, que quer estar em todos os lugares ao mesmo tempo e sempre por dentro de tudo que acontece na volta e no mundo, que pretende ler os livros do mundo em uma vida. Um dia ainda dou conta.
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