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Infinitas possibilidades entre o caos e a calma

Lucia Righi

jornalista, curiosa, metida, contraditória por definição, daquelas que prefere o caos e a desordem pra se encontrar, que quer estar em todos os lugares ao mesmo tempo e sempre por dentro de tudo que acontece na volta e no mundo, que pretende ler os livros do mundo em uma vida. Um dia ainda dou conta

Essa é só a sua opinião

Não precisa concordar, mas entenda o ponto de vista alheio. Afinal, toda ideia tem diversos lados, e muitas vezes simplesmente não existe o certo e o errado. Tudo é questão de ponto de vista. Só não se arrependa de não pensar.


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Onde termina a sua liberdade e começa e minha? Até que ponto tenho eu o direito de me ofender com as opiniões e pensamentos alheios? A intolerância que tanto se fala parece ter se alastrado de tal forma que ocupa os dois lados, se torna um inconveniente no mundo das ideias e crenças.

Só que atualmente, na tentativa de banir preconceitos e abusos, foi criada uma linha muito tênue entre o respeito e a censura. A liberdade de expressão incentiva a difusão de múltiplos pontos de vista e provoca o debate, o que muitas vezes minimiza os conflitos. É, acima de tudo, suporte vital de qualquer democracia, sendo a tolerância um exercício diário perante ideologias diversas com que nos deparamos o tempo todo.

As limitações estarão sempre em questionamento e conflito em um país laico e democrático. E o grande desafio é manter o equilíbrio entre a liberdade e a intolerância. Atualmente não há espaço para o conservadorismo bruto dominante de anos atrás. O medo já não abafa os que pensam diferente, o espírito democrático e a alteridade se instalaram soberanos no mundo pós-moderno, relativizando ideias antes eternizadas.

Parece que chegamos em um nível de intolerância em que tudo que o não pode ser controlado, precisa ser censurado. Não conseguimos lidar com opiniões contrárias, gerando inimizades, rivalidades e acima de tudo violência. E o que mais me entristece é ver o quanto mesmo as pessoas que defendem a tolerância, acabam agindo com aspereza contra os que chamam de intolerantes e preconceituosos, e completam o ciclo de provocações. Só que é incrível que, quanto mais se dá o amadurecimento, mais a opinião do outro se torna irrelevante. "Posso não concordar com o que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo", não era o que dizia Voltaire já lá no século XVIII?!

Espera-se que nesses tempos turbulentos em que vivemos, diante do excesso de liberdade de expressão que as mídias sociais nos disponibilizaram, o bom-senso e o amor próprio sobrevivam. Às vezes, fica realmente fácil se esconder atrás da tela do computador para revelar ideias perturbadoras e agressivas. Que consigamos atingir o discernimento e uma visão mais isenta, e descobrir que também não é necessariamente vergonhoso se despir de opinião e ficar em cima do muro. Pessoas gritam suas opiniões e tapam os ouvidos para qualquer contraponto. Ei, há um mundo de opções na web, mostrando tantas versões do mesmo fato. Vai lá, dá um google! Você vai se surpreender com o que vai descobrir.

Afinal, toda ideia tem diversos lados, e muitas vezes simplesmente não existe o certo e o errado. Não precisa concordar, mas entenda condutas e pontos de vistas alheios. É preciso se expressar, mas também respeitar que os outros têm seus próprios motivos, vivências e filtros para pensar diferente. Bote a mão na consciência, o lado de lá também tem suas razões.

É triste ver pessoas se agredindo e perdendo a cabeça com argumentos extremistas e passionais na mais clara disputa de egos, que muitas vezes embaçam as vistas e se mostram frágeis e caolhas quando analisadas a fundo. O que temos diariamente é uma timeline tão cheia de xingamentos rasos e violência gratuita que muitas vezes é melhor se fazer de desentendido do que entrar na briga. A que ponto chegamos?

Reflita, só não se arrependa de não pensar. Já disse certa vez Paulo Nassar: “Contra o medo, a solidariedade”.


Lucia Righi

jornalista, curiosa, metida, contraditória por definição, daquelas que prefere o caos e a desordem pra se encontrar, que quer estar em todos os lugares ao mesmo tempo e sempre por dentro de tudo que acontece na volta e no mundo, que pretende ler os livros do mundo em uma vida. Um dia ainda dou conta.
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