vanilla sky

Infinitas possibilidades entre o caos e a calma

Lucia Righi

jornalista, curiosa, metida, contraditória por definição, daquelas que prefere o caos e a desordem pra se encontrar, que quer estar em todos os lugares ao mesmo tempo e sempre por dentro de tudo que acontece na volta e no mundo, que pretende ler os livros do mundo em uma vida. Um dia ainda dou conta

Para além da curiosidade

Por trás da curiosidade, um mundo novo te espera.


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Sabe aquela vontade de saber mais, de ver, conhecer, experimentar algo que não se conhece? Aquele ímpeto de dar mais um passo rumo ao desconhecido, de apertar o botão, de abrir a caixa de Pandora só pra ver o que tem dentro? É essa irresistível vontade que nos instiga a desvendar o novo, a sair da zona de conforto e arriscar. E principalmente, a descobrir o que nos motiva, o que nos move.

Durante anos nossa cultura desmoralizou a curiosidade. Dogmas e regras nos inculcaram conceitos prontos, sem nos permitir questionar. Fomos corroídos pelo medo. Transformaram o curioso num bisbilhoteiro e fofoqueiro. Mas nem sempre tem que ser assim. Buscar coisas novas, sair da rotina, mantém a mente ativa. Retira-nos da absorção passiva da informação, exigindo mais do que pensamentos e ações automáticas. Desta forma, a curiosidade se torna uma importante chave de acesso ao conhecimento.

Não é questão de acumular um monte de informações sem critério, até porque o nosso HD é limitado (infelizmente) e muita coisa acaba não sendo absorvida, mas de ser receptivo às informações a que temos acesso diariamente e filtrar o que realmente interessa e acrescenta. Manter as “antenas ligadas” pode ser importante para completar o nosso quebra-cabeça interno e refinar algumas ideias.

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Dizem que a curiosidade matou o gato. E gato é bicho curioso mesmo! Mas se usada com inteligência e bom senso – e para o bem – pode ser uma grande válvula criativa. Afinal, tudo o que foi descoberto e desenvolvido no mundo foi fruto da curiosidade de alguém que tentou diferente. Que testou algo novo. E aqui entra outro velho jargão: o que não me mata me fortalece!

Sou suspeita para falar, a profissão me entrega. Acho que o jornalista já tem que ter a curiosidade como requisito básico. Sempre fui extremamente curiosa, e acredito que foi a curiosidade que me incitou a buscar saber mais sobre as coisas, ter embasamento, a (tentar) não falar bobagem. E também a admitir quando não sei (e, tão logo, pesquisar sobre o assunto). Tenho orgulho de amigos que nunca foram bons nos estudos, mas que um dia, encontrando sua vocação, foram aguçados pela curiosidade e sentiram-se estimulados a saber mais, tornando-se profissionais vorazes e competentes.

Adoro listas de curiosidades, mas adoro mais ainda questionar, buscar significados para coisas que talvez nem tenham explicação ou um porquê. Pensar essas respostas é algo que me faz sentir mais viva. Por isso que a filosofia me fascina tanto, por colocar as nossas certezas em xeque. Fazer-nos pensar. Buscar outros modelos, outras respostas às mesmas perguntas. Ou mesmo, criar as nossas próprias perguntas.

Aqueles papos de fim de tarde com amigos, as despretensiosas madrugadas na casa de uma amiga, ou com um grupo heterogêneo na mesa de um bar trazem insights fantásticos. São momentos em que deixamos a imaginação fluir e nos permitimos ouvir outras versões sobre as coisas. A curiosidade aumenta o nosso repertório de informações sobre o mundo e sobre nós mesmos, enriquecendo a apreciação das nossas experiências e gerando referências para futuros aprendizados e criações. Jean-Jacques Rousseau disse: "Só se é curioso na proporção de quanto se é instruído".

Existe um mundo a ser desvendado, vamos em frente!


Lucia Righi

jornalista, curiosa, metida, contraditória por definição, daquelas que prefere o caos e a desordem pra se encontrar, que quer estar em todos os lugares ao mesmo tempo e sempre por dentro de tudo que acontece na volta e no mundo, que pretende ler os livros do mundo em uma vida. Um dia ainda dou conta.
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