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Infinitas possibilidades entre o caos e a calma

Lucia Righi

jornalista, curiosa, metida, contraditória por definição, daquelas que prefere o caos e a desordem pra se encontrar, que quer estar em todos os lugares ao mesmo tempo e sempre por dentro de tudo que acontece na volta e no mundo, que pretende ler os livros do mundo em uma vida. Um dia ainda dou conta

Como sobreviver agosto sem pirar

Acho muito injusto o mau juízo atribuído a agosto. Caio Fernando Abreu recomenda: "Zaps mentais, emocionais, psicológicos, não só eletrônicos, são fundamentais para atravessar agostos". E ele pode até trazer um gostinho de quero mais :)


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Eis que chegamos a agosto, estava tudo indo muito bem até que recebo uma enxurrada de maus agouros provindos das profundezas do meu Facebook. Um bando de gente injuriando meu querido agosto. Pedindo proteção diante do azarento mês. Para lá! Agosto mal começou e eu esperei um ano inteirinho por ele. Parem já de fazer bullying com meu mês!

Todo ano é assim. Muitas crenças e superstições pairam sobre o mês de agosto. Os maus ventos de agosto fazem dos cachorros loucos, despertam as bruxas da aviação, anunciam as Noites de Terror. Mês do desgosto para as noivas portuguesas, abandonadas pelos maridos que partiam em grandes expedições em busca de novas terras sem data para voltar.

As desventuras de agosto fazem parte do imaginário popular internacionalmente. Tudo bem, há algum fundamento em tanto ultraje. Foi no sofrido agosto que tiveram início as duas guerras mundiais e até a bomba atômica de Hiroshima e Nagazaki foi deflagrada nesse mês. Atentos à falta de sorte de agosto, acabamos superestimando os seus infortúnios, tornando-os ainda maiores.

Imponente e atrevido, o oitavo mês do calendário gregoriano foi assim batizado em honra ao imperador César Augusto. Para os romanos, o céu de agosto transporta o imenso e terrível dragão que cospe fogo, representado pela brilhante constelação de Leão. Segundo alguns numerologistas, o mês oito incomoda por trazer a tona tudo o que foi semeado desde o início do ano. Pode representar fracasso ou sucesso diante de pensamentos, sentimentos e ações cultivados.

Agosto tem um sabor especial pra mim. Guarda-me um misto de sentimentos. Euforia e angustia permeiam meus dias. Euforia porque o mês do meu aniversário me enche de felicidade plena. Angustia porque mais um ano se vai e alguns planos e metas vão ficando para o próximo rolo de anos que me espera logo ali na frente. Agosto vem me colocar uma nova folha em branco nas mãos.

Além da cobrança a cada ano que vira, surge a necessidade de certo desprendimento para abstrair essa negatividade toda em cima de agosto pelo inconsciente coletivo. Já dizia Caio Fernando Abreu: “Zaps mentais, emocionais, psicológicos, não só eletrônicos, são fundamentais para atravessar agostos”. Xô urucubaca!

Mas não só de desgraças respira agosto. Em uma pesquisa rápida podem-se desvendar grandes feitos enraizados aqui. Foi em agosto que se deu a invenção do cinema falado, que foi criada a televisão colorida e concluído o projeto da World Wide Web (www). Em agosto foi licenciado o primeiro automóvel no Brasil e saiu a impressão da primeira obra tipográfica assinada, uma das mais importantes invenções. Fora que é mês dos pais, aqueles que dão a vida por nós e nos protegem de qualquer infortúnio iminente.

Adentrar agosto parece ser sempre uma aventura. Diante dos maus presságios, o jeito é tapar os ouvidos e me deixar recarregar com as novas energias que só agosto é capaz de me proporcionar. Pegar a minha folha em branco e fazer um apanhado de tudo o que 2016 me trouxe. E tudo que ainda deve trazer.

Agosto pode ser um mês lindo, em que o inverno faz sua despedida triunfal e vai dando espaço ao frescor da primavera. Hora de reorganizar o guarda-roupa e a vida, rever o que foi realizado e o que aina há pra realizar este ano. E calma aí, ainda tem muito ano pela frente!


Lucia Righi

jornalista, curiosa, metida, contraditória por definição, daquelas que prefere o caos e a desordem pra se encontrar, que quer estar em todos os lugares ao mesmo tempo e sempre por dentro de tudo que acontece na volta e no mundo, que pretende ler os livros do mundo em uma vida. Um dia ainda dou conta.
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