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Infinitas possibilidades entre o caos e a calma

Lucia Righi

jornalista, curiosa, metida, contraditória por definição, daquelas que prefere o caos e a desordem pra se encontrar, que quer estar em todos os lugares ao mesmo tempo e sempre por dentro de tudo que acontece na volta e no mundo, que pretende ler os livros do mundo em uma vida. Um dia ainda dou conta

Um ser de mil faces

Um texto de autoconhecimento, que fala sobre as múltiplas possibilidades de ser.


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É impressionante o quanto a gente vai mudando ao longo dos anos. Olhando pra trás, do alto dos meus trinta e poucos anos, consigo enxergar as tantas que já fui e o caminho extenso e sinuoso que percorri para chegar até aqui.

E o que me intriga não são as mudanças que me transformaram em quem eu sou, mas em como as pessoas que passaram pela minha vida imprimiram um pouco das suas experiências e preferências nas minhas. Me encantaram com as suas histórias a ponto de me contagiar. De me fazer também querer viver aquilo. Como diz aquele velho clichê, deixaram um pouco de si em mim.

Quando convivemos muito com alguém, mesmo sem intenção, copiamos os trejeitos, compartilhamos a risada, dividimos as preferências e combinamos os gostos. Quando estamos com um amigo, dividimos com aquela pessoa as afinidades, aprendemos e ensinamos coisas sobre nós e nos surpreendemos diferentes após aquela experiência.

Se me tornei a pessoa que sou, foi com a contribuição dos meus amigos que me apresentaram o que lhes faz brilhar o olho. E esse brilho resplandeceu sobre mim também, me fazendo enxergar as coisas de forma um pouco diferente. É tipo quando dá um “plim!”. Como que eu nunca tinha pensado por esse lado?

Sou uma pessoa de fácil convivência e amplas inquietudes. Posso me emocionar em um museu repleto de relíquias impressionistas ou numa galeria de arte pós-moderna. Posso me empolgar com uma vista de cima de um dos maiores prédios de São Paulo, ou da vertente de uma cachoeira cercada de verde. Varar a noite no boteco da esquina ou em um baile de gala. Afinal, porque preciso escolher entre a praia e a montanha se posso ter os dois, cada uma seu tempo?

E assim, estou sempre buscando referências. A cada companhia, novos momentos, novas ideias, crenças e equivalências. E a gente vai se autodesvendando, e descobrindo um outro lado de nós mesmos, mais aventureiro ou mais vaidoso ou mais culto ou mais popular. O mais legal é poder dividir experiências valorizando o que as pessoas apreciam, tentando entender suas paixões e motivações.

Isso nos afasta dos rótulos, uma vez que podemos ser tudo o que podemos ser, sem precisar se enquadrar em tribos ou ficar a mercê de julgamentos. Afinal, podemos encontrar identificação com qualquer tipo de pessoa, só depende do ângulo em que esse cruzamento vai acontecer e assim, transitar por todo tipo de grupo e encontrar pontos de acesso a cada um deles.

Tudo isso nos leva a arriscar mais, a se doar mais. Quem nunca saiu de uma conversa com um amigo determinado a fazer acontecer? Isso porque aquela pessoa nos mostrou um lado diferente do cubo mágico que é a vida, girou o cubo pro outro lado, e vemos o quanto aquilo também pode se enquadrar na nossa vida. Como na gestalt, existem várias formas de enxergar a mesma figura, e a cada novo olhar, imagens completamente distintas podem surgir diante de nossos olhos e mudar tudo.

Eu me espelho em pessoas, na alegria de viver pequenas coisas, de se divertir em lugares que pareciam tão sem atrativos pra mim, em peculiaridades que me inspiram e me fazem ver a vida um pouco diferente, de um ângulo inusitado. Quando tudo parece tão chato, as histórias paralelas renovam as minhas energias, como se me desse um novo fôlego, um reset na vida.

Sou a soma de todas as pessoas que passaram pela minha vida, MAIS as ideias que colhi por aí. Multifacetada em seu melhor sentido, cheia de novas visões de mundo. Aprendi que com um pouco de observação e muita imaginação, a vida pode vir em constante renovação.


Lucia Righi

jornalista, curiosa, metida, contraditória por definição, daquelas que prefere o caos e a desordem pra se encontrar, que quer estar em todos os lugares ao mesmo tempo e sempre por dentro de tudo que acontece na volta e no mundo, que pretende ler os livros do mundo em uma vida. Um dia ainda dou conta.
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