variando

Visões diferentes para um mesmo mundo

Murilo Trevisan

Os 80 anos de Jane Goodall

Jane Goodall dedicou sua vida ao estudo do comportamento e da relação familiar dos chimpanzés na Tanzânia. Mas sua história de vida ultrapassa outras fronteiras.


Michael Nichols - NatGeo JANE.jpg

Jane Goodall é uma primatóloga britânica que dedicou mais de 50 anos de sua vida ao estudo comportamental dos chimpanzés na Tanzânia. Tudo começou em Julho de 1960 quando ela partiu em sua primeira expedição. Jane foi pioneira na área. Além de ser extremamente cautelosa e detalhista em seus relatos, ela é sinônimo da conservação da vida animal. Em abril desse ano ela completou 80 anos de idade.

Quando começou ela era apenas uma cidadã britânica que não tinha qualquer tipo de trabalho publicado no meio, muito menos era dona de um diploma universitário. Mas seu estudo foi seu cartão de visitas ao mundo científico e com isso ela se tornou uma mulher de renome internacional.

Durante sua carreira Jane sofreu rejeições no meio acadêmico pelo fato de humanizar seu objeto de pesquisa, nesse caso os chimpanzés. Ela nomeava-os e atribuía sentimentos aos seus pesquisados, isso não foi aceito pelo meio da etologia, campo que estuda o processo de evolução do animal.

Dr. Jane Goodall.jpg

O estudo de Jane não serviu apenas para entender o processo evolutivo e comportamental dos chimpanzés foi um marco do início de uma longa luta para a preservação e proteção desses animais que em vários países têm sua existência ameaçada. Goodall é considerada um marco em uma nova era da ciência, a ciência humanizada. Esse era um dos principais propósitos de Jane ao publicar seu estudo. Ela ignorou as críticas da sociedade científica e humanizou as descobertas de campo com um contato direto e intimo com os chimpanzés.

Ao longo desses 50 anos de estudo Jane acompanhou o desenvolvimento de 3 gerações de chimpanzés na Reserva de Gombe na Tanzânia. Mas após tanto estuda-los ela resolveu levar ao mundo a importância de preserva-los.

“Se eu sentasse e permitisse que os chimpanzés daqui e de todo o mundo fossem extintos seria uma marca negra na história da humanidade, por esse motivo é de extrema importância encontrar um equilíbrio entre a atividade humana e animal” disse Jane.

Após quebrar paradigmas no passado Jane se dedica hoje ao seu instituto o “Instituto Jane Goodall” atua em países africanos recrutando pessoas para ajudar na preservação desses animais.

Jane Godall pode ser considerada uma das primeiras mulheres visionárias da história. Ela não só pretende conscientizar uma sociedade que age de forma errada em relação aos bens naturais, Jane Goodall está deixando um legado de consciência ambiental e social que será de extrema importância e utilidade em um futuro não muito distante.

Foto/Capa - Michael Nichols para a National Geographic


version 1/s/recortes// @destaque, @obvious //Murilo Trevisan