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Porque "o futuro é sempre maior do que as nossas análises..." (Bernard Bro)

Anderson Francisco

Aprendi que o futuro é sempre maior que nossas análises; por isso mesmo não perdoa nossas omissões.

O "frevo-jazz" do Maestro Spok

"O frevo está para o Capibaribe como o Jazz está para o Mississipi", disse certa vez o músico e produtor musical Zé da Flauta. Essa intuição é a mesma que está presente no trabalho do Maestro Spok.


Imagen Thumbnail para Imagen Thumbnail para Imagen Thumbnail para 03.jpgSpokFrevo Orquestra

O ano era 1944, a cidade Recife. O saxofonista Félix Lins de Albuquerque, ou Felinho, como ficou conhecido, passaria para a história da música pernambucana. Tudo por causa de oito variações que criou para o frevo Vassourinhas, um dos hinos do carnaval de Pernambuco. O que ninguém havia pensado até então, Felinho pôs em prática: improvisar ao invés de simplesmente seguir a partitura.

Passados mais de quarenta anos, um rapaz caminhava pelas ruas de Olinda quando ouviu em um alto falante algo que o deixou impressionado: “Parei na hora. Fiquei de bobeira, e fui até o carro pedir para o cara tocar novamente a música”. Eram as famosas variações de Felinho, e o jovem era Inaldo Cavalcanti Albuquerque, o Maestro Spok. A partir daí, Spok decidiu que queria fazer algo parecido com o que fez Felinho - renovar a maneira de se conceber e tocar o Frevo.

spok soloMaestro Spok

O formato de Big band da SpokFrevo Orquestra, como é chamado o conjunto comandado por Spok, não esconde a influência do Jazz no seu trabalho e na sua maneira de tocar frevo: “Eu via aqueles músicos improvisando e me perguntava por que não se poderia fazer o mesmo com o frevo, que eu tocava tão tradicionalmente, seguindo a partitura, enquanto aqueles músicos faziam jazz”. Porém, não se trata de americanizar o frevo, fazendo-o perder suas características: “O que me interessa é a liberdade do músico. A Orquestra, na verdade, faz o frevo cru, como ele é. São 17 pernambucanos no palco, que nasceram ouvindo esta música e que não têm como não executá-la com propriedade. A diferença está nos arranjos, que são feitos com o propósito do improviso, para que o músico possa colocar seu coração ali”, finaliza o maestro.

Dessa mistura entre Frevo e Jazz surgiu uma proposta inovadora e criativa que foi capaz de revolucionar o cenário musical brasileiro no que diz respeito à música instrumental. O Frevo, de música regional que era tida, passou ao status de música mundial com o trabalho de Spok.

06.jpgNaipe de saxofones

Sob seu comando, a SpokFrevo Orquestra lançou em 2004 seu primeiro álbum, Passo de Anjo - Ao vivo, que desde já foi um sucesso de crítica e fez com que, em 2009, ganhasse o 20° Prêmio da Música Brasileira como melhor disco e melhor grupo, na categoria Instrumental. Desde então, Spok e seus músicos viajaram o Brasil e o mundo em apresentações que deixam o público extasiado.

As fotos e vídeos, assim como mais informações, estão no site da SpokFrevo Orquestra.


Anderson Francisco

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