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Porque "o futuro é sempre maior do que as nossas análises..." (Bernard Bro)

Anderson Francisco

Aprendi que o futuro é sempre maior que nossas análises; por isso mesmo não perdoa nossas omissões.

Provocação sobre um possível fim

Não foi dessa vez que o mundo acabou. Por isso mesmo, ainda estamos aqui. Mas, até quando o "homem" caminhará sobre a terra?


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Por que nos preocupamos com o fim do mundo? A resposta parece óbvia: é que deixaríamos de existir caso o mundo acabasse. Ou seja, não é o fim do mundo que realmente nos aflige, mas o nosso. Isso é natural, é o instinto de preservação, dirão alguns. No entanto, há um ponto delicado na questão que está implícito, mesmo que não se admita: uma estranha certeza de que só um desastre planetário abreviaria nossos dias. As causas desse apocalipse não vêm ao caso aqui (poderiam ser naturais, provocadas por nós mesmos ou pela "cólera dos deuses"), a "estranha certeza" se mantém firme: se o mundo não acabar, continuaremos aqui.

Porém, nem todos pensam assim. O homem terá um fim, não porque o mundo vai acabar, mas porque está ultrapassado como projeto. Pelo menos é o que pensam os transhumanistas: "sabemos que o Homo sapiens não é a última palavra na evolução dos primatas", afirma o biofísico Gregory Stock, assinalando para o fato de estarmos na iminência de uma "profunda transformação biológica, preparada para transcender nossa forma e caráter atuais".

Essa transformação - que se dará graças aos avanços futuros nas áreas da engenharia genética, nanotecnologia, biotecnologia e AI - tornará possível um corpo o qual "poderemos modificar e reelaborar à vontade, segundo novas formas", além de uma inteligência nanobiológica que será "bilhões de vezes mais poderosa" graças a interfaces com conexões virtuais e nanorobots, explica o inventor e escritor futurista Raymond Kurzweil.

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Porém, para os transhumanistas mais radicais - como Kurzweil, por exemplo - nada disso é suficiente. A própria necessidade de um corpo é colocada em xeque. A essência do humano poderia ser reduzida a um "padrão cognitivo" que, uma vez preservados os "meios de armazenamento e as formas de decodificação da informação", se abriria para uma perspectiva de "imortalidade"; uma alma digitalizada.

O que pensadores como Stock e Kurzweil propõem na realidade é uma intervenção no processo da evolução humana acelerando-a e levando-a ao limite. Podemos, no entanto, encontrar algo de realmente humano em um "padrão de informação", por exemplo, transmitido indefinidamente para simular a imortalidade, ou estamos diante de outra etapa da história que definitivamente deixa de ser humana?

Qualquer resposta, por mais precipitada que possa parecer devido à distancia que parece nos separar de tal futuro, não afasta de nós a sombra do medo de um fim que pode estar sendo projetado por nós mesmos e que só nos vem à tona por meio de profecias apocalípticas.


Anderson Francisco

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