verbo in-verso

... a palavra poética e seus desavessos...

Fábio Santana Pessanha

Atravessado por palavras... em dobraduras de silêncio...

  • não - augusto de campos.jpg
    sete maneiras de dizer não a perguntas impossíveis

    dizer não é uma dádiva, isso não é novidade. o importante é como permanecer no absurdo, então, o não funciona para além de uma negação: é um encantamento palavral. aqui, sete modos de enaltecer o impossível.

  • 2.jpg
    Nós, poemas

    Um poema passa, cruza teu caminho e te chama no canto. Daí, você se assusta, para e (se) olha.
    Então, o poema te pergunta:
    – Você vem?
    (...)

  • manoel de barros.jpg
    Quando somos instantes num poema inabacado...

    O que diferencia uma frase usual de um verso? O que dá o estatuto poemático a uma construção verbal, desencadeando realidades, paisagens multiformes no universo das existências que povoam nossos olhares? Respostas são sempre imprecisas e efêmeras, o que interessa é o mergulho no questionamento e a brincadeira (muito séria!!!) de sermos um poema escrito a cada instante...

  • Caminhos.jpg
    O poeta existe na escultura das palavras

    Os poetas são escultores de existências. Nas palavras, burilam o mistério da realidade que os atravessam, convidando-nos a permanecer em nosso singular caminho de procura pelo que somos. E arriscamos alguns palpites: somos poemas, palavras... quem sabe? Precisamos aprender a desaprender o erro que somos... e errar é caminhar sempre...

  • waly 4.jpg
    Waly Salomão e o oco do tempo

    Nenhum poema é posse, nenhum rigor enlaça a verve da palavra lançada ao existir. Waly Salomão se deriva em versos ao se desdobrar no poema “Vigiando o oco do tempo”, e por esse desdobramento inventamos existências nas palavras desencadeadas por sua lírica. No entanto, aviso: este texto não é uma explicação, tampouco uma análise do referido poema. O que se funda aqui é o exercício de morte e renascimento numa hermenêutica poética, onde as palavras tomam as rédeas da incontornável escrita ao recriar um mundo. Por essa confissão, o poema é presentificado integralmente nas falas de um vigilante do incomensurável, quando este se deixa tomar pelo oco do tempo.

  • clarice 2.jpg
    Um sopro de palavras para Clarice Lispector

    Do início da leitura do romance "Um sopro de vida", de Clarice Lispector, nasceram palavras encantadas por dúvidas. Um olhar tornou-se vários e o arrebatamento deu-se repentino. Aqui se encontra um momento de morte, um instante-já onde a vida se torna palavra e devires.

  • fernando_pessoa-600x400.jpg
    O desencontro dos contrários em Paulo Leminski: quando o poeta se restitui à palavra que é

    A partir do poema "desencontrários", de Paulo Leminski, é feito um enfrentamento. Mas não no sentido de uma batalha de onde saia um vencedor e um perdedor. Na trama que aqui se erige, todos somos vencedores da difícil condição poemática de ser a palavra que recolhe escombros em seu silêncio. Monumentar o voo linguístico do poema é tarefa de vida e morte para escutas em aprendizagem de abismos. O poeta insiste em sua existência, inscreve-se no que escreve; e de tudo que lemos fazemos parte, restituindo-nos à palavra que somos.

  • manoel de barros - te amo muito.jpg
    Desde quando a palavra é verso? Brincações de palavras com Manoel de Barros

    Começamos pela pergunta: desde quando a palavra é verso? Desdobramentos, incandescências palavrais, desvios, dilúvios e aflúvios verbais se fazem presentes numa tentativa de mergulho nesse questionamento. E deixo ainda outra questão que se insere nas entrelinhas do texto: quando nos tornamos poema durante orgias com as palavras? (ih, será que estraguei a surpresa?)