verbo moto visual

arte pra ver, ouvir, tocar. simples assim.

Susy Freitas

Susy Freitas é formada em Letras e Jornalismo pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e hoje se aventura no mundo mágico da pesquisa acadêmica em Ciências da Comunicação. Adora cinema, livros, músicas velhas e rúcula.

Feministas: as chatas atacam na web


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As chatas a que se refere o título da postagem é uma alusão direta ao irônico texto “As feministas é que são chatas”, de Aline Valek. Junto a ele, diversos outros textos e imagens têm ganhado destaque na web, em especial nas redes sociais, questionando diversos valores associados ao machismo e expondo vários problemas de que as mulheres são vítimas simplesmente pelo fato de serem mulheres. Numa era em que Facebook e Twitter vêm sendo instrumentos importantes para mudanças culturais e políticas, não é de se estranhar que o feminismo também tente abrir caminho pela web.

O que chama a atenção no caso dessas “chatas” é como se dá o feliz casamento do feminismo com a web. Muitas dessas iniciativas de incentivo a valorização dos direitos iguais para mulheres apresentam mensagens simples e rápidas, apresentando seus argumentos sem firulas e muitas vezes com muito bom-humor, indo contra o estereótipo de que feministas são mulheres obrigatoriamente chatas e mal amadas ou de que esse é um assunto pé-no-saco. Alguns exemplos podem ser conferidos abaixo:

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Feminist Frequency – Bolado por Anita Sarkeesian, o Feminist Frequency se dedica basicamente à cultura pop. A diferença é que nele podemos acompanhar as críticas muito bem boladas sob a ótica das relações de gênero. Acompanhar as postagens do site é uma ótima maneira de perceber que o machismo não se limita aos estereótipos que vemos em comerciais de cerveja, com homens assistindo ao jogo de futebol e batendo nas bundas das respectivas namoradas/esposas, sendo também tão sutil como o fato de os brinquedos para meninas serem todos rosa, ou de que apenas quatro dos últimos 50 filmes que ganharam o Oscar de Melhor Filme contavam histórias centradas em personagens femininos.

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Machismo chato de cada dia – se tem uma maneira fácil de passar alguma mensagem direta, é com um tumblr. É só postar uma imagem, adicionar dois ou três pequenos parágrafos de texto (no máximo!) e pronto. O que poderia ser uma receita para a mediocridade é utilizado pelo “Machismo chato de casa dia” com resultados simples, mas não simplistas. A razão disso é o fato de as postagens abrirem as portas para questionamentos de uma maneira sintetizada, mas nem por isso menos importante, aproximando o feminismo de questões do dia a dia que nada têm a ver com queimar sutiãs na rua.

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Feministing – o site surgiu em 2004 com a proposta de ser uma espécie de comunidade em que feminismo e temas periféricos pudessem ser expostos. Sua criadora, Jessica Valenti, idealizou o Feministing como uma forma de tornar o assunto mais acessível para as mulheres jovens, para quem o modus operandi da web é algo aprendido desde a infância. Por isso, o site traz assuntos relacionados a meio ambiente, política, cultura pop, saúde, sexo e postagens pessoais, todas com um tom crítico em relação ao papel da mulher na sociedade. O uso de recursos multimídia, a atenção ao design do site, a hipertextualidade e a linguagem acessível são alguns dos elementos que mais chamam a atenção, apesar de o site já ter sido alvo de críticas em relação ao seu conteúdo.

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Escreva Lola escreva – um blog bem “feinho”, sem nada daquele visual moderninho de um Julia Petit da vida, e onde as tendências da moda ou os tutoriais de maquiagem não tem vez. Tampouco é um blog dedicado apenas a assuntos diretamente relacionados ao feminismo, mas sim de temas que orbitam ao redor de uma mentalidade mais crítica para as mulheres, permitindo a autora atravessar os mais diversos assuntos, seja numa postagem mais pessoal, seja falando sobre política, literatura ou programas de TV. Apesar de ser professora doutora, Lola parece fazer questão de deixar as postagens com uma linguagem bem leve e acessível e, em muitas vezes, com a participação direta [email protected] internautas (sacou as arrobas promovendo a igualdade?).


Susy Freitas

Susy Freitas é formada em Letras e Jornalismo pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e hoje se aventura no mundo mágico da pesquisa acadêmica em Ciências da Comunicação. Adora cinema, livros, músicas velhas e rúcula..
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