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Feministas: as chatas atacam na web

em web por em 16 de jul de 2012 às 23:07 | 7 comentários

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As chatas a que se refere o título da postagem é uma alusão direta ao irônico texto “As feministas é que são chatas”, de Aline Valek. Junto a ele, diversos outros textos e imagens têm ganhado destaque na web, em especial nas redes sociais, questionando diversos valores associados ao machismo e expondo vários problemas de que as mulheres são vítimas simplesmente pelo fato de serem mulheres. Numa era em que Facebook e Twitter vêm sendo instrumentos importantes para mudanças culturais e políticas, não é de se estranhar que o feminismo também tente abrir caminho pela web.

O que chama a atenção no caso dessas “chatas” é como se dá o feliz casamento do feminismo com a web. Muitas dessas iniciativas de incentivo a valorização dos direitos iguais para mulheres apresentam mensagens simples e rápidas, apresentando seus argumentos sem firulas e muitas vezes com muito bom-humor, indo contra o estereótipo de que feministas são mulheres obrigatoriamente chatas e mal amadas ou de que esse é um assunto pé-no-saco. Alguns exemplos podem ser conferidos abaixo:


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Feminist Frequency – Bolado por Anita Sarkeesian, o Feminist Frequency se dedica basicamente à cultura pop. A diferença é que nele podemos acompanhar as críticas muito bem boladas sob a ótica das relações de gênero. Acompanhar as postagens do site é uma ótima maneira de perceber que o machismo não se limita aos estereótipos que vemos em comerciais de cerveja, com homens assistindo ao jogo de futebol e batendo nas bundas das respectivas namoradas/esposas, sendo também tão sutil como o fato de os brinquedos para meninas serem todos rosa, ou de que apenas quatro dos últimos 50 filmes que ganharam o Oscar de Melhor Filme contavam histórias centradas em personagens femininos.


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Machismo chato de cada dia – se tem uma maneira fácil de passar alguma mensagem direta, é com um tumblr. É só postar uma imagem, adicionar dois ou três pequenos parágrafos de texto (no máximo!) e pronto. O que poderia ser uma receita para a mediocridade é utilizado pelo “Machismo chato de casa dia” com resultados simples, mas não simplistas. A razão disso é o fato de as postagens abrirem as portas para questionamentos de uma maneira sintetizada, mas nem por isso menos importante, aproximando o feminismo de questões do dia a dia que nada têm a ver com queimar sutiãs na rua.


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Feministing – o site surgiu em 2004 com a proposta de ser uma espécie de comunidade em que feminismo e temas periféricos pudessem ser expostos. Sua criadora, Jessica Valenti, idealizou o Feministing como uma forma de tornar o assunto mais acessível para as mulheres jovens, para quem o modus operandi da web é algo aprendido desde a infância. Por isso, o site traz assuntos relacionados a meio ambiente, política, cultura pop, saúde, sexo e postagens pessoais, todas com um tom crítico em relação ao papel da mulher na sociedade. O uso de recursos multimídia, a atenção ao design do site, a hipertextualidade e a linguagem acessível são alguns dos elementos que mais chamam a atenção, apesar de o site já ter sido alvo de críticas em relação ao seu conteúdo.


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Escreva Lola escreva – um blog bem “feinho”, sem nada daquele visual moderninho de um Julia Petit da vida, e onde as tendências da moda ou os tutoriais de maquiagem não tem vez. Tampouco é um blog dedicado apenas a assuntos diretamente relacionados ao feminismo, mas sim de temas que orbitam ao redor de uma mentalidade mais crítica para as mulheres, permitindo a autora atravessar os mais diversos assuntos, seja numa postagem mais pessoal, seja falando sobre política, literatura ou programas de TV. Apesar de ser professora doutora, Lola parece fazer questão de deixar as postagens com uma linguagem bem leve e acessível e, em muitas vezes, com a participação direta d@s internautas (sacou as arrobas promovendo a igualdade?).

 

Artigo da autoria de Susy Freitas.
Susy Freitas é formada em Letras e Jornalismo pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e hoje se aventura no mundo mágico da pesquisa acadêmica em Ciências da Comunicação. Adora cinema, livros, músicas velhas e rúcula..
Saiba como fazer parte da obvious.

Comentários

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Well, no final deste comentário está o link prum vídeo de uma mulher (feminista ao seu modo, como ela diz) dizendo praticamente tudo que penso sobre feministas como estas destes blogs mencionados e sobre suas idéias.

Embora seja homem também sou feminista ao meu modo (o mesmo modo the estrela deste vídeo, a romena Cristina Rad) isto é: não acho que lugar de mulher seja na cozinha mas também não acho que lugar de homem seja oficina, não acho que as mulheres devam ser proibidas de trabalhar mas também não acho que homens devam ser pressionados a trabalhar apenas em função de serem homens, me incomodo com pessoas que acham que o único papel digno a uma mulher é o de mãe mas me revolto igualmente com pessoas que acham que o papel da mãe é mais digno ou digno de maiores direitos que o do pai...

Portanto não compartilho das idéias feministas destiladas por estes blogs, que combatem os estereótipos desagradáveis às mulheres mas fingem ignorar os estereótipos favoráveis às mesmas.

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=vi11dzLKrUU.

O que me chamou a atenção mesmo e deu o "estalo" para abordar o assunto feminismo é a utilização da web e de seus recursos para algo que pode trazer benefícios para todos, não só para as mulheres. olhando meu facebook, por exemplo, vejo tantas pessoas postando imagens engraçadinhas, memes, frases de efeito e links de blogs que não são canais "oficiais" de informação. ver mensagens nesse mesmo formato passando coisas positivas sobre a valorização das mulheres, respeito aos homossexuais ou ensinando cuidados ao meio ambiente é o que acho a grande sacada nisso tudo.

sobre o vídeo que você cita, alguns pontos apresentados são interessantes, embora outros beirem a infantilidade na argumentação, ao meu ver, principalmente por já partir do princípio de que feministas querem os "privilégios" dos homens, mas não as desvantagens destes. mas até isso é interessante, porque você se posiciona sobre o assunto, eu pego corda e rebato, daí você rebate de volta, e assim discutimos, mudamos ou refinamos nossa opinião sobre um assunto que, se não fosse esse computador com acesso à internet que nos une, talvez nunca fosse pensado muito a fundo em outro momento. se nos empolgarmos, podemos até fazer nossos próprios vídeos, hehehe.

ana luiza

Olha, Daniel, não entendi onde vc quer chegar...

Na verdade, o feminismo prega o respeito entre os gêneros. É um movimento em defesa também dos homens, na medida que:

- eles não devem ser pressionados culturalmente a serem os provedores da família.
- eles não precisam "pegar" ninguém caso não queiram, sob o risco de serem taxados de "gays" (como se isso fosse um xingamento).
- eles podem - e devem - ser bons pais.
- eles tem o direito de abraçar amigos/parentes e demonstrar carinho a outros homens.
- eles podem trabalhar na oficina, se quiserem. Ou, se preferirem, podem ser enfermeiros, professores primários ou comissários de bordo.
- eles podem gostar de futebol e MMA. E/ou, de balé e patinação no gelo. E não serão menos homens se gostarem disso.
...

O feminismo luta também por essas causas masculinas. Na verdade, esta é uma luta por uma sociedade mais decente.

É óbvio que existem feministas que defendem realmente uma sociedade igualitária e entendem os excessos de muitas suas pares, eu mesmo citei uma e poderia citar outras como Doris Lessing ou Cristina Hoff assim como havia o "antiracismo" de Malcom X em oposição ao Antiracismo de Luther King.

Entretanto se a proposta do post era trazer um elogio ao "feminismo de igualdade", expressão cunhada pela própria filósofa feminista Christina Hoff Sommers, já mencionada, então a escolha dos blogs citados (dois deles que eu já conhecia e outro que só vim a conhecer através deste post) foi infeliz.

Este ponto do qual você diz que a Cristina Rad parte em alguns momentos não existe, Suzy, simplesmente porque a mesma deixa claro que não fala de um feminismo genérico e homogêneo (que ela assume não existir) mas de um discurso específico (revanchista e vitimista) que tem grande força (possivelmente majoritária) dentro deste universo de filosofias um tanto heterogêneas sob o guarda-chuva nomeado feminismo.

Eu aliás, não gosto deste termo nem do correlato cunhado pelo ex ativista feminista Warren Farrel (masculinismo). Prefiria anti-sexismo como termo para embarcar as partes de ambos os movimentos que entendessem que os revéses de uma sociedade baseada em estereótipos de gênero.

Ana, o feminismo que você descreve é um feminismo que me atrai profundamente, mas não enxergo esta visão como homogênea e nem ao menos majoritária entre os que se nomeiam feministas. Uma rápida lida nos blogs citados reforça o meu ponto.

Seria tão bom se esse assunto pudesse ser discutido como uma equação é discutida por matemáticos e ao final poderíamos chegar a uma resposta correta sem sombra de dúvida, né? Porém, nesse caso o que há é um embate de pontos de vista, no qual diferentes correntes divergem, e dentro dessas correntes cada interpretação subjetiva também varia de pessoa pra pessoa, como o daniel bem observou. O que posso dizer é que não me considero autoridade no assunto para afirmar quem está mais ou menos certo, e listei os sites citados por razões como popularidade ou uso variado de recursos da web. Como falei anteriormente, foi a ideia de utilizar esses recursos para passar uma mensagem de forma antenada com o meio sobre um assunto visto como "idiota", "chato" ou "ultrapassado" o que realmente me chamou a atenção. Resumindo, essa postagem não é de uma feminista, mas de uma comunicóloga. Pessoalmente, não considero o conteúdo dos sites, em especial o do Feminist Frequency, calcado em discursos revanchistas, pelo ao menos não até agora; porém, acho interessante as referências que o daniel cita, pois podem levar a um maior aprofundamento sobre determinada vertente do assunto. Aliás, que conteúdos de fácil acesso e assimilação presentes na web (sem contar livros, artigos, essa produção mais acadêmica) vocês internautas recomendam?

Edu

Concordo com o Daniel. Dos citados, só conhecia o tumblr e o blog da Lola. Confesso que faz um tempinho que não dou uma olhada no blog da Lola, mas se bem me lembro em alguns posts havia um notório desejo de um homem submisso, trocando um erro pelo outro.
Mas não quero ser um vigilante da internet, falando como as pessoas devam se manifestar (isso é um erro), mesmo porque o que acho a pode ser b na visão d eoutra pessoa :) E bem, o "radicalismo" de Malcon X foi tão importante quanto Luther King.

Carol

Adorei o post! Não conheço o Feministing, vou ler antes de dar opinião, mas os outros 3... Só não posso dizer que conheço de trás pra frente porque ainda não consegui ler todos os posts da Lola. Mas com certeza, posso dizer que sou fã.
Participo de grupos de discussão e é impressionante o quanto feministas divergem de opinião em quase todos os assuntos. Acho isso o máximo! Não existe um livro sagrado do feminismo, uma cartilha que você deve seguir pra ganhar a carteirinha de feminista.
Como poderia ser o contrário se, na minha opinião, a maior luta do feminismo é pela liberdade???

Daniel, acredito que seu problema com o feminismo possa ser explicado com suas próprias palavras: "Uma rápida lida nos blogs citados reforça o meu ponto". As ideias feministas podem ser um tanto quanto indigestas, especialmente para os homens, mas difícil para todxs, pra mim também foi. E o que é uma reivindicação que hoje considero legítima, me parecia revanchismo ou vitimismo. Talvez se você baixar a guarda um pouco (ou um pouco mais, não sei como você lida com a questão...), você veja as coisas de outra forma. Ou não. Talvez essa seja mesmo sua opinião...
Mas posso dizer que não conheço nenhuma feminista que diz que lugar de homem é na oficina, que homem tem que ser o provedor da casa. Às vezes eu dei sorte. :P

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