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Estranhos olhares sobre a ficção científica

em cinema por em 17 de ago de 2012 às 01:13

Quando se pensa em filmes de ficção científica, logo vêm a cabeça naves futuristas, robôs ou extraterrestres. Para boa parte do público atual, esse gênero cinematográfico também é sinônimo de grandes efeitos especiais e muita ação. Porém, alguns cineastas empreenderam a desafiadora tarefa de realizar ficções científicas pouco convencionais, imprimindo suas marcas de autoria e adicionando sensibilidade aos temas para contar histórias que podem até se passar num universo paralelo, mas que nos tocam de qualquer maneira.

2001 – Uma odisseia no espaço (1969)

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O clássico de Stanley Kubrick figura facilmente em qualquer lista de grandes momentos da ficção científica nas telas de cinema. No entanto, não se pode negar que o diretor foi além do óbvio, trazendo sutileza ao jogo de gato e rato empreendido entre homem e máquina a bordo de uma nave espacial. A atmosfera de solidão e o terror diante do desconhecido, além dos excelentes aspectos técnicos e artísticos que o 2001 tem, tornam o filme um exemplar ímpar da ficção científica no cinema até hoje.


Alphaville (1965)

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Se fosse uma refeição, a receita seria: junte um dos pais da Nouvelle Vague francesa, sua musa inspiradora, alguns cacarecos que pareçam modernos, adicione uma atmosfera de filme noir e polvilhe com poesia. O resultado disso é Alphaville, a ficção científica realizada por Jean-Luc Godard. Sem grande orçamento, Godard filmou na mesma Paris dos anos sessenta em que realizou “Acossado”, adicionando um ou outro detalhe “tecnológico” para situar no futuro a trama do agente secreto Lemmy Caution (Eddie Constantine) em busca do professor von Braun e da destruição do super-computador Alpha 6.0.


Solaris (1972)

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Ficção científica com extraterrestres existe aos montes, mas Solaris soube tornar tudo mais estranho ao fazer um planeta inteiro agir como um organismo vivo. O planeta em questão dá nome ao filme e consegue “visualizar” as memórias dos humanos que vivem na estação espacial responsável por pesquisa-lo. Como se a coisa toda não fosse esquisita o suficiente, Solaris também é capaz de materializar elementos dessas memórias, o que torna a estada de Kris Kelvin (Donata Banionis) um tormento, uma vez que ele passa a conviver com uma réplica de sua falecida esposa, a suicida Hari (Natalya Bondarchuk). Que o espectador fique avisado: Solaris parece mais um romance de Dostoievski que um Guerra nas Estrelas!


The man from earth (2007)

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Nem só de espaço e de futuro vive o mundo da ficção científica. The man from earth (2007) se passa nos dias atuais e se desenrola todo a partir de diálogo numa aconchegante cabana na Califórnia. É nesse cenário que o professor John Oldman (David Lee Smith) revela a um grupo de amigos que ele tem 14 mil anos de idade e que presenciou, com os próprios olhos, todas as mudanças da humanidade ao longo desse período. O grupo que ouve a estranha confissão é formado por pessoas de diversas formações como arqueologia, história, biologia e psicologia, além de diferentes credos. Composto apenas de discussões que passam pelo terreno da ciência e da religião, The man from earth abre mão de vários elementos que permeiam esse gênero e retorna a boa e velha conversa com os amigos rodeando o fogo da lareira.


Pi (1998), de Darren Aronofsky

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Antes de se interessar por bailarinas loucas ou pela arca de Noé, Darren Aronofsky realizou Pi, uma pequena pérola da ficção científica. No filme, o gênio matemático Max (Sean Gullette) descobre um padrão universal que basicamente rege tudo no universo, o que lhe faz prever, por exemplo, resultados na Bolsa de Valores de NY. Como nada é perfeito, Max é atormentado por fortes dores de cabeça e por pessoas que passam a persegui-lo em busca de seu conhecimento. Assim como The man from earth, Pi também atravessa os limites entre ciência e religião; a diferença deste último é que o filme mostra todo o lado ruim dessa experiência!

 

Artigo da autoria de Susy Freitas.
Susy Freitas é formada em Letras e Jornalismo pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e hoje se aventura no mundo mágico da pesquisa acadêmica em Ciências da Comunicação. Adora cinema, livros, músicas velhas e rúcula..
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