viagem imaginária

Conhecendo mundos sem sair do lugar

Fernanda Mendonça

Editora do Assiste Brasil e estudante de Jornalismo da Universidade Federal da Paraíba (UFPB)

A necessidade da mortificação do olhar

A nossa visão seria capaz de nos transmitir a verdadeira realidade? Estaríamos nós vivendo na Caverna de Platão? Na era do audiovisual, o conflito entre o mundo dos sentidos e o mundo das ideias tornou-se mais recorrente do que imaginamos.


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A visão humana é falha. Falsas impressões nos são passadas da realidade, muitas vezes conturbadas, sem foco e desmerecidas de credibilidade. Mas, aos que apenas enxergam com saúde, isso não é refletido. Vivemos em uma era onde a tecnologia elimina a essência dos momentos, dos objetos, da realidade em geral, para deixar apenas a sua aparência, as sombras da realidade, assim como na alegoria da Caverna de Platão.

O pensamento é posto em segundo plano, já que o audiovisual transmite uma falsa impressão de confiabilidade. A velocidade com que essas imagens são jogadas frente à visão dificulta o emprego da imaginação e do pensamento do ser. Não há pausas para reflexão, fazendo com que as imagens sejam lançadas frente aos olhos e, por seguinte, esquecidas para serem substituídas pelas próximas. Rapidez. Fluxo constante. Incansável.

A realidade para as pessoas que são cegas é imaginada, refletida. Estas são dispensadas de enxergarem imagens alienantes e enganosas que as rodeiam - e isso torna a reflexão o principal elemento utilizado para o entendimento da realidade. Não se trata da simples aceitação do que se sente, mas sim da interpretação em busca de significados substanciais, não apenas concretos e já moldados por outros.

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A formação da realidade deve ser elaborada a partir da união das sensações e das ideias. Sem as primeiras, as ideias não terão fundamentos reais, o que pode ocasionar na criação de realidades abstratas e surreais; entretanto, as sensações, sozinhas, também não possuem fundamentos, pois o tempo e o local variam o objeto, criando verdades mutáveis e duvidosas.

O equilíbrio entre o ser e o parecer deve ser encontrado para que se saiba ver e não apenas enxergar o mundo real. Os sentidos devem trabalhar em conjunto, sempre levando suas percepções à mente. Desta maneira, a reflexão pode ser valorizada e as ilusões expostas pelas imagens, descartadas. Os olhos necessitam ser parcialmente mortificados para que a responsabilidade do ver seja compartilhada com outros sentidos e finalizada no pensamento.


Fernanda Mendonça

Editora do Assiste Brasil e estudante de Jornalismo da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).
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