vida alternativa

O mundo visto por um gato zarolho

Vasco Neves

Sento-me em frente ao mar, e a ele digo-lhe tudo aquilo que a ti não consigo...

Retro Futuro - O futuro de ontem, de hoje e de amanhã.

O futuro de ontem não é necessariamente o presente de hoje. Imaginar o futuro é algo que fascina o ser humano. O séc XX foi por excelência o século da tecnologia. Mas a tecnologia avança tão rapidamente. Será possível prever como será o mundo daqui a 100 anos? Uma breve incursão na ficção cientifica, imaginação e futuro, uma mistura excitante. As ilustrações de Frank Rudolph Paul.


Às vezes penso em como a evolução tecnológica dos últimos 50 ou 60 anos foi galopante. Década após década os avanços sucederam-se, e em apenas 100 anos o mundo "pulou e avançou", como diz o poeta António Gedeão no seu poema Pedra Filosofal.

Quando era criança sonhava muitas vezes com o futuro, viajava a cada obra de ficção científica que lia. Naqueles tempos não era tão fácil o acesso à informação, não existia internet (pelo menos nos moldes que existe hoje), e todos tínhamos de usar um recurso de peso, a imaginação.

Era a imaginação que transformava qualquer pedaço de madeira numa espada, ou um pedaço de terra numa pista para aterrarem naves espaciais. Os soldadinhos de plástico verde eram quase sempre a defesa do planeta imaginário, e tinham grandes batalhas contra os bonecos do G.I. Joe, os gigantes invasores de um planeta distante. É sempre um exercício saudável este de nos deixarmos levar pela imaginação, e esquecer nem que seja por breves momentos, que existem limites à mesma, que vivemos numa sociedade onde nem sempre imaginar, fantasiar é visto como benéfico. Parece que no processo de crescimento, vamos perdendo aos poucos a capacidade de imaginar e de fantasiar, mas também acho que as novas gerações de crianças são um pouco mais preguiçosas no que toca à imaginação.

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A escrita de ficção científica sai da mente de pessoas, que para além de criativas, têm de ser extremamente imaginativas. Antigamente ainda era necessário mais imaginação, e até alguma cultura, pois era preciso conhecer um pouco de física e até astronomia para criar estas histórias espaciais. Não existiam modelos que pudessem servir de base, como temos hoje em dia.

Para quem têm vinte anos, talvez seja difícil conceber um mundo sem internet, sem telefones sem fios, e sem tvs digitais. Aliás o cenário em que vivemos hoje, por certo foi imaginado por algum escritor, ou ilustrador à algumas décadas atrás. Um mundo onde os telefones não precisam de estar fixos, onde é fácil estar em contacto com qualquer ponto do planeta. É verdade que os carros ainda não voam, e a comida não é servida em tubinhos.

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Nesta era do digital, onde temos a facilidade de ter tudo na hora, o hábito de imaginar e fantasiar tende a cair em desuso. Não é que seja difícil usar a nossa mente para criar imagens, rostos ou até mesmo paisagens, mas quase parece que alguém já as imaginou por nós. Tornou-se difícil ser imaginativo e criativo.

A imaginação do homem levou-nos por caminhos espantosos, algumas vezes esses caminhos foram obscuros e sombrios. A capacidade para criar energia destrutiva de alta potência, como bombas atómicas e as bombas nucleares. Mas este é apenas um lado da moeda, do outro lado também existe energia, que embora seja volátil, quando manobrada cuidadosamente permite manter electricidade, aquecimento e dar conforto às nossas vidas quotidianas.

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Júlio Verne deve ter imaginado cada detalhe do seu Náutilos, no romance Vinte Mil Léguas Submarinas. Não foi totalmente original é certo, embora já existissem submarinos nessa altura, estes eram arcaicos e sem poderio bélico. No fundo eram peças meramente experimentais e sem grande aplicação prática.O submarino imaginado por Verne tinha muitas das características dos submarinos de hoje, mas em 1870 era impossível passar para a prática, aquilo que tão bem estava descrito na obra.

Quantas vezes a imaginação do homem está um, ou vários passos à frente da própria tecnologia? Uma ideia "louca", pode precisar de vários anos ou décadas, até que seja criada a tecnologia que permita materializar a mesma. A história da humanidade está repleta de visionários, gente muito à frente do seu tempo, como o grande e multifacetado artista Leonardo Da Vinci. Leonardo, séculos antes de o homem conseguir voar, já tinha pensado e teorizado sobre este e outros assuntos nos seus desenhos experimentais. Ensaios sobre helicópteros e outros inventos, que só séculos mais tarde puderam ser materializados, mas o espantoso é ver que na sua base, as teorias de Da Vinci estavam correctas. Muitas outras ideias terão sido perdidas, queimadas e destruídas, umas vezes por pessoas que temiam mais a mudança, do que Deus, outras vezes destruídas por parecerem simplesmente absurdas.

Os escritores de ficção científica clássica tiveram um papel importante na criação e concepção dessas imagens, ilustrações de seres mutantes, planetas com quatro sois e três luas, naves espaciais. O trabalho dos ilustradores dessas histórias também assumia uma grande importância, pois era por eles que facilmente poderíamos identificar os elementos de forte componente visual presente na escrita. E não falo apenas de seres extra terrestres, a própria arquitetura do “futuro”, com os seus edifícios os seus veículos, e até mesmo como as sociedades estavam estruturadas.

Frank Rudolph Paul foi um ilustrador de revistas pulp. Trabalhou para as revistas Amazing Stories, Air Wonder Stories, Science Wonder Stories, and Wonder Stories. Estas revistas publicaram cerca de 200 ilustrações suas a cores. O primeiro número da Marvel Comics contou também com uma capa sua. Provavelmente a sua mais famosa capa da Amazing Stories terá sido a da edição de Agosto de 1927, ilustrando uma reedição de H.G. Wells, "A Guerra dos Mundos".

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Todas estas revistas pertenciam ao género pulp ou pulp fiction (de onde Quentin Tarantino retirou o nome para a sua obra cinematográfica de 1994). As revistas pulp eram feitas com um papel de baixa qualidade a partir da polpa de papel. Desde meados da primeira década de 1900, que eram usadas para as histórias de ficção científica ou fantasia, na altura considerada literatura menor.

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Deixo aqui uma série de ilustrações de Frank Rudolph Paul, datadas do começo da década de 40 do século passado, e que ilustravam o “homem” dos variados planetas do sistema solar. F.R. Paul ficaria certamente fascinado com os recursos que hoje a arte de ilustrar permite. Quer seja por meios digitais, quer seja da maneira mais tradicional. Ficaria por certo ainda mais impressionado pelo facto deste futuro ser diferente do que ele certamente tinha imaginado.

Eu pessoalmente gostava de viver mais 200 anos, para poder assistir ao avançar da tecnologia. Será um exercício interessante e complexo, o de imaginar o nosso futuro, como será a vida em 2212? Quem sabe os avanços que a ciência fez?

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Vasco Neves

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