vida alternativa

O mundo visto por um gato zarolho

Vasco Neves

Sento-me em frente ao mar, e a ele digo-lhe tudo aquilo que a ti não consigo...

O meu ódio favorito

Sempre me intrigou esta minha capacidade de gostar de músicas,mas não gostar de quem as canta. Como é que se lida com isto? Não é com psicólogos por certo, logo decidi usar uma terapia mais barata e com resultados mais efectivos... a escrita!



Pois é, eu não gosto muito do Tiago Bettencourt...e isso é simplesmente estúpido, até porque eu não o conheço e nunca trocámos dois dedos de conversa sequer, mas não consigo evitar. A sorte é que ele não sonha que eu existo, e eu só me lembro que ele existe quando oiço algumas das suas músicas. E lá vem ao consciente esta dualidade de conflitos (que ando a tentar "trabalhar"). Gosto da música, mas não consigo gostar do Tiago Bettencourt.

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Esta foi a maneira mais simples que arranjei para lidar com a situação: "Que se lixe a Pessoa, a mim só me interessa o Artista". E de facto o Tiago é um excelente artista, alguém com capacidade e criatividade para trabalhar a sua música e compor algumas pérolas da música portuguesa contemporânea. Mas talvez seja apenas a minha "subjectividade selectiva" a falar mais alto...

Tiago Bettencourt formou os "Toranja", banda que se deu a conhecer ao grande público através do álbum de 2003 denominado "Esquissos" e do seu grande hit "Carta".

Esta música foi uma lufada de ar fresco na música portuguesa. Uma música que embora fosse pesada e um tanto soturna, era digna de ser ouvida por qualquer um, que alguma vez tivesse sofrido desse mal chamado Amor. Da primeira vez que ouvi esta música fiquei literalmente colado ao chão, onde é que esta banda andou toda a minha vida?

No álbum "Segundo" a música "Laços" é uma daquelas que não nos passa indiferente. A banda mudou a sua sonoridade de um álbum para o outro e isso talvez fosse o prenuncio do que se seguiria... é tempo então de fazer coisas novas...novos projetos começam a formar-se na cabeça de Bettencourt.

O ano de 2006 é um ano charneira na carreira de Tiago, os Toranja entram em suspensão indefinida, Bettencourt afirma-se no seu projeto a solo sendo acompanhado pela excelente banda de apoio MANTHA.

Cresce como músico e vai definindo o seu próprio estilo. Mas mesmo assumindo o seu papel na música portuguesa, não deixa no entanto de ter várias colaborações com artistas nacionais. Atrevo-me a dizer que qualquer música feita em conjunto com Tiago, acabará invariavelmente por se tornar um pedaço de magia.

Este singelo texto não é de maneira alguma um texto jornalístico, não é uma análise à carreira de Tiago Bettencourt. Estas palavras que se formam, através da junção de caracteres do meu teclado, traduzem-se num texto altamente subjectivo. Aqui tudo reflete a minha opinião, os meus gostos e "ódios de estimação", embora possa não ter empatia com a pessoa do Tiago Bettencourt, tenho o maior respeito e reconhecimento e gosto pela sua obra musical.

Outra das facetas que eu admiro neste artista, é a capacidade de desconstruir canções concebidas por outros. São canções já de si fantásticas, algumas delas com uma carga afetiva muito elevada para mim, são parte da minha vida...parte da minha infância.

Como é o caso do Pó de Arroz do grande Carlos Paião (e do mito que ele teria sido enterrado vivo, um dos meus mitos favoritos quando era criança):

Ou da belíssima Canção do Engate de António Variações, um artista que teve uma carreira fugaz devido à sua morte precoce, mas que marcou profundamente a música Portuguesa. Ainda tenho uma velha e muito usada K7 original com as canções do grande Variações:

Talvez este texto tenha feito pouco sentido para quem o está a ler, e isso é bastante compreensível da minha parte. Esta é a minha maneira, assim meio estranha, e em tom de desabafo de crescer. Foram muitos anos a dizer o mesmo sobre o Tiago Bettencourt, ou sobre os Toranja: "Epá...eu até gosto das músicas dele, não não consigo curtir o gajo!" Agora limito-me a dizer "É um excelente artista!"

Assistam aos vídeos, fechem os olhos e oiçam as músicas...tudo o resto é irrelevante, as palavras que escrevi podem até não fazer sentido, mas as músicas fazem... Retirem as vossas próprias conclusões...

Vasco Neves

Sento-me em frente ao mar, e a ele digo-lhe tudo aquilo que a ti não consigo....
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