vida alternativa

O mundo visto por um gato zarolho

Vasco Neves

Sento-me em frente ao mar, e a ele digo-lhe tudo aquilo que a ti não consigo...

E (quase) tudo o fogo queimou

Um fósforo é algo tão comum e simples que seria difícil imaginar que poderia tornar-se um objeto de arte. Mas a arte também é um pouco isso...deixar que sejam os mais inesperados, insignificantes e corriqueiros objectos a serem manipulados de forma a que o seu propósito se molde à ideia e ao conceito do artista. E foi isso mesmo que o russo Stanislav Aristov fez ao revelar todo um potencial artístico na manipulação deste objecto tão comum nas nossas cozinhas.


za.jpg

Desde pequeno que sempre tive um fascínio pelo fogo, a minha primeira lembrança é a de dizer que queria ser bombeiro. Relaxem, não sou um pirómano, mas de facto existe algo na chama ardente que sempre me atraiu. Não sei se li ou se me contaram, mas de facto acredito numa teoria que diz algo do género - O fogo dá-nos uma sensação de segurança, está intrínseco nos nossos genes. Algures num tempo distante dentro de uma caverna, um ser humano primitivo sentia-se mais seguro por ter uma fogueira à sua volta, o fogo a primeira grande revolução tecnológica do homem.

bj1.jpg

Ainda hoje na minha família se contam história ( hoje em dia em tom divertido, mas na altura pouca piada tinha) sobre uma das muitas tropelias cometidas por mim. Devia ter uns seis ou sete anos e consegui apanhar uma caixa de fósforos pequena que escondi no meu baú dos brinquedos. Uma bela tarde estava o meu avô a dormitar uma bela sesta, e eu tive uma ideia fantástica...ia criar um barco viking, tal e qual o do Vickie o Viking. Na minha ideia os barcos vikings tinham archotes...e nada melhor que uns fósforos para criar esse efeito. Resumindo...o barco era de plástico, os fósforos arderam e claro incendiaram o barco que por sua vez começou a arder também. A história não foi mais trágica porque o meu avô sentiu o cheiro a queimado e tomou as devidas diligências. O meu avô em algumas coisas era um bacana, abafou a história e eu pensei que me tinha safado... durante uns dias...

bj7.jpg

bj4.jpg

Para o fotógrafo russo Stanislav Aristov, é um prazer transformado em arte gostar literalmente gosta de brincar com o fogo. Aristov manipula o fósforo enquanto ele se queima, e assim consegue as formas desejadas. Esta é apenas uma parte de um processo que de simples tem pouco, de seguida usa uma lente macro e um flash de estúdio para filmar o fogo, assim como todo o fumo que sai dele. A parte final é o uso da poderosa ferramenta de manipulação de imagem que é o Photoshop e assim finalizar a imagem. Para este fotógrafo um fosforo é uma metáfora para a vida. A parte queimada representa o passado, o fumo são todas memórias e a parte não queimada é o futuro que nos aguarda.

Visite o site de Stanislav.

bj2.jpg

bj3.jpg

bj5.jpg

bj6.jpg

bj8.jpg

bj9.jpg

bj10.jpg

bjork_10.jpg

Bjork-1995.jpg

bjork-1.jpg

ds.jpg

xz.jpg

zc.jpg

zd.jpg

zs.jpg

zx.jpg

zz.jpg

zzz.jpg


Vasco Neves

Sento-me em frente ao mar, e a ele digo-lhe tudo aquilo que a ti não consigo....
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/fotografia// @destaque, @obvious //Vasco Neves