vida sem movimento literário

Conexões da literatura, do cinema,da música e da rua com a vida. Em uma palavra, sinceridade.

Seane Melo

Jornalista, aspirante à escritora e especialista em algum movimento literário a ser descoberto. Também pode falar de horóscopo? Geminiana, então.

Para ler o feminismo em poesia e ficção científica

A temática feminista vem ocupando cada vez mais espaço nas redes sociais, nas discussões políticas e, também, na boa literatura!


Intencionalmente ou não, o feminismo, recentemente, tem surgido como temática ou experimento na literatura. Mulheres escrevendo sobre problemas femininos em situações cotidianas ou em universos inventados transformam política em arte.

Separamos duas obras contemporâneas que inspiram e fazem rir, com escrita criativa e ácida.

1. Angélica Freitas é uma boa mulher

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uma mulher boa.jpg

Os versos acima fazem parte da poesia uma mulher limpa, que inicia o livro um útero é do tamanho de um punho da poetisa gaúcha Angélica Freitas. Apesar de falar sobre mulheres, o feminismo que perpassa a obra não vem com cara de militância e luta: é pura poesia. Segundo entrevistas da autora, a obra surgiu de experiências vividas, do convívio com amigas feministas e do acompanhamento do aborto de uma amiga.

Ao longo de todo o livro, Angélica Freitas só nos surpreende com seu humor ácido e nada óbvio. Mulheres reais e diversas – mulher de malandro, mulher de vermelho, mulher de respeito e até de rollers – tomam forma em sua poesia, rindo das dificuldades e ironizando o senso comum. A escrita da gaúcha é leve, engraçada, verdadeira e até a língua do “i” adquire forma lírica. Feita sob medida até para quem não ama poesia, o livro é uma aula para entender um pouco do que é ser mulher.

uma mulher gorda.jpg

2. Um universo(des)construído por mulheres

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Universo desconstruído é uma coletânea de contos de ficção científica feminista encabeçada por Aline Valek e Lady Sybylla, cujo objetivo é manter uma pluralidade na ficção científica e produzir a visão de um futuro melhor sem machismo, homofobia ou racismo.

about_valek.jpg Aline Valek, uma das organizadoras da coletânea.

A obra é dividida em contos feitos por diversos autoras e autores em um exercício de desconstrução de estereótipos. Por isso, a maneira como cada conto apresenta traços feministas é diferente em cada história. Há contos onde podemos perceber a abordagem de bandeiras do feminismo, como o direito ao aborto; ou onde a mulher é vista como uma igual, sem qualquer distinção de gênero; outros ainda passeiam pelo transexualismo de forma igualmente natural. Há, também, histórias que mostram mulheres (ou transexuais) de luta, como Electra, a surperagente transexual do primeiro conto, que tem que se provar capaz todos os dias diante das dificuldades impostas a ela. Tudo isso sem abrir mão de universos apocalípticos, interplanetários ou futuristas. Ou seja, como toda boa ficção científica deve ser!

Esse artigo foi feito com a colaboração de Tamara Gomes.


Seane Melo

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