vida sem movimento literário

Conexões da literatura, do cinema,da música e da rua com a vida. Em uma palavra, sinceridade.

Seane Melo

Jornalista, aspirante à escritora e especialista em algum movimento literário a ser descoberto. Também pode falar de horóscopo? Geminiana, então.

A nova febre da geração Beat

Filmes e livros chegam ao mercado trazendo nova luz sobre os artistas da Geração Beat e mostrando que suas obras nunca foram tão atuais.


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O ano de 2013 marcou o início de uma nova febre beatnik. Silenciosamente ou não, autores como Allen Ginsberg, Burroughs, Diane di Prima e Kerouac ganharam mais espaço no mercado editorial brasileiro com o lançamento de romances, diários ou coletâneas de entrevistas, assim como no cinema.

Allen Ginsberg

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Em qualquer enciclopédia ou tratado sobre os beatniks, o nome do poeta Allen Ginsberg é presença confirmada. Amigo próximo de Kerouac e autointitulado agente de Burroughs, Allen é uma das figuras mais fascinantes dentre os figurões desse movimento. O Uivo, seu livro mais famoso, virou filme, lançado em 2010 e estrelado por James Franco, sobre o processo judicial que envolveu a publicação do poema homônimo.

Em 2013, Allen Ginsberg voltou ao mercado editorial com a coletânea de entrevistas Allen Ginsberg – Mente espontânea da editora Novo Século. Na obra de mais de 600 páginas são reunidas entrevistas com o autor realizadas entre 1958 e 1996, nas quais Ginsberg expõe um pouco do seu pensamento sobre a vida, seu trabalho e seu tempo.

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Gisnberg também é o personagem principal do filme Versos de Um Crime (Kill Your Darlings), cujo lançamento é previsto para 16 de maio deste ano, no Brasil. No longa, é mostrado o envolvimento de Ginsberg, interpretado por Daniel Radcliffe, com Lucien Carr, que é acusado de matar seu amante David Kammerer. O filme também promete uma boa mostra da interação entre Ginsberg, Jack Kerouac e William Burroughs ao longo da trama.

William Burroughs

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A obra de outro grande nome da geração Beat também ganhou novo vigor em 2013. O selo Má Companhia, da Companhia das Letras, trouxe, em primeira mão, Junky para as livrarias brasileiras. Na obra, escrita em 1949, o autor fala da sua experiência com morfina, heroína, cocaína, entre outras drogas, com um desprendimento e uma qualidade literária que chocaram a sua época.

A edição, cujas primeiras páginas podem ser acessadas aqui, ainda vem com uma introdução de Ginsberg de brinde.

Kerouac

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O autor de On The Road – Na Estrada dispensa apresentações. E, desde o lançamento do filme On The Road, tem voltado a figurar como grande influência literária do século XX. No Brasil, a L&PM é a editora que domina as publicações do e sobre o autor. No final de 2013, Kerouac também rendeu boas novidades para o mercado editorial. A editora mencionada publicou um livro de haicais do autor, que revela o trabalho poético praticamente desconhecido de Kerouac. A edição ainda é bilíngue e permite ao leitor conferir os haicais originais em inglês e a tradução em português.

Também é da L&PM, o livro Kerouac: 3 em 1. A obra reúne o clássico On The Road, com outros dois romances da fase de maior maturidade do beatnik: Os subterrâneos e Os Vagabundos Iluminados.

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O novo interesse que as obras Beats têm despertado pode ser um sinal sobre o nosso tempo. Sinal de que a transgressão e espontaneidade dos autores dessa geração permanecem atuais nos dias de hoje e que muito ainda pode ser aprendido com eles sobre viver com intensidade.


Seane Melo

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