vide verso

Porque a vida sempre tem o outro lado

Laura Gillon

O segredo é fechar os olhos, deixar o mistério ser a bússola mais fiel e, pelas trilhas, aprender — sempre! — a (d)escrever

Reflexões nada natalinas

Os segredinhos apimentados de Noel e seu universo desvendado


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Chegou o Natal, com seus vermelhos, verdes, dourados e um trânsito infernal. Minha mãe amava essa época do ano e até hoje, quando vejo a cidade pronta para receber o barbudo, sinto saudades dela, ainda mais que o normal. Mas, não; não boto fé no trabalho da equipe natalina.

Explico: há muitos, muitos e muitos anos, contratei um detetive particular que ficou plantado no Polo Norte, vigiando a movimentação. Descobri que Rudolph comandava um esquema mega com a máfia de duendes na linha de montagem dos brinquedos. Rolava desvio, contrabando (os esquimós faziam o transporte), superfaturamento e o escambau.

Desencantei. E ainda mandei uma cartinha para o iludido Noel dedurando tudo, com fotos e o dossiê completo. Ele entrou em depressão, começou a tomar Prozac e desistiu da profissão. Largou Mammy Noel com todos os bens e se mandou com a amiga da Filhinha Noela — 30 anos mais nova que ele, diga-se de passagem — para uma praia deserta.

Levou, é claro, muita cerveja, camisinhas, filtro solar, óculos de sol e uma sunga vermelha. E nunca mais foi visto pelas nossas bandas.


Laura Gillon

O segredo é fechar os olhos, deixar o mistério ser a bússola mais fiel e, pelas trilhas, aprender — sempre! — a (d)escrever.
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