vitor dirami

A beleza vai além do que podemos olhar.

Victor Dirami

O universo Pop de Maria Antonieta

Sofia Coppola conseguiu criar um retrato jovem e atual da última Rainha da França e fazer do seu filme uma referência no mundo da moda.


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A diretora Sofia Coppola vinha de duas experiências bem sucedidas anteriormente, Encontros e Desencontros (Lost in Translation, 2003) e As Virgens Suicidas (The Virgin Suicides, 1999), em seu terceiro filme, criticado e adorado por muitos, Maria Antonieta (Marie Antoinette, 2006) divergiu opiniões e provocou dúvidas nos espectadores na época do seu lançamento. Hoje, o filme adquiriu um caráter de referência de moda pelo figurino impecável assinado por Milena Canonero.

Kirsten Dunst, uma das mais talentosas atrizes de sua geração, interpreta a Arquiduquesa Maria Antônia da Áustria, que aos 14 anos é enviada a corte de Versalhes para se casar com o Delfim de França, Luis Augusto. A adolescente que viria a se tornar a rainha Maria Antonieta é retratada de uma forma contemporânea no filme, que aproxima a personagem de qualquer jovem menina da nossa era. Ao transportar isso para o contexto de Maria Antonieta, no fim do século XVIII, o resultado é estranho e beira a superficialidade. Sofia Coppola optou por retratar uma Maria Antonieta mais humana e intimista (baseada na biografia escrita por Antonia Fraser), mas o resultado é a criação de um perfeito ícone Pop.

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O filme é fiel aos fatos da vida de Maria Antonieta, apesar de ocultar casos importantes de sua vida e minimizar o desenlace através dos anos que viria a culminar na Revolução Francesa. Kirsten Dunst faz jus ao seu talento mais uma vez, e brilha no papel da última rainha da França. Ela soube alcançar o equilíbrio entre os dois lados da personagem e diferenciar a menina adolescente da mulher rainha. Kirsten, comum em sua origem germânica com a verdadeira Maria Antonieta, esbanja beleza, graça e jovialidade do papel da princesa austríaca.

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A menina de apenas 14 anos serviu como peça de xadrez no audacioso jogo comandado por sua mãe, a Imperatriz Maria Teresa da Áustria (interpretada por Marianne Faithfull), ao chegar a corte de Versalhes, a Arquiduquesa se depara com um ambiente frívolo (bem menos austero que Viena), dominado por intrigas palacianas e povoado pelas fofocas cortesãs. Maria Antonieta se vê isolada num meio que lhe é hostil, longe de casa, dos amigos e sem qualquer identificação com aquele ambiente, a jovem Delfina passa a criar uma espécie de mundo paralelo, só dela. Ainda tendo que aguentar a frieza de um marido bobo e introspectivo. O casamento demora a se consumar (na história real foram 4 anos), e a ânsia da população por um herdeiro.

As manipulações na corte são protagonizadas pela vulgar Madame Du Barry (Asia Argento), amante do velho rei Luis XV (Rip Torn), débil no fim da vida. Ao longo da trama, acompanhamos as transformações de Maria Antonieta, que farão dela a personagem clássica conhecida por todos nós. Sua ascensão e a do marido ao trono, agora Luis XVI (Jason Schwartzman). Romances, a vida alucinada embalada por bailes, óperas e festas, e as pressões para que engravidasse. Ao ter sua primeira filha, Maria Antonieta modifica-se, adotando um estilo de vida mais despojado e natural, quase campestre, afastando-se da vida da corte. Em breve, tem início a sua derrocada, a França pré-revolucionária está à beira da bancarrota e a rainha acompanha de muito distante os fatos que irão coincidir na Revolução, no seu trágico fim, e de toda sua família.

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O filme foi gravado nas locações originais de sua história, como no suntuoso Palácio de Versalhes (utilizando quartos proibidos a visitação do público), a Ópera Garnier em Paris, e no Petit Trianon. O que contribuiu e muito a produção; destaque para as belas cenas contemplativas dos jardins e interiores.

O grande chamariz do filme foi sem dúvida o seu figurino. Assinado pela prestigiada Milena Canonero, o filme recebeu o Oscar de Melhor Figurino em 2007. Com uma paleta de cores exuberante - abusando do rosa, azul, amarelo, vermelho e das estampas florais e geométricas - misturando elementos contemporâneos ao luxo da moda setecentista, o resultado é um verdadeiro e merecido deslumbre aos olhos. Os penteados e acessórios de Maria Antonieta são um luxo à parte, seguindo fielmente as tendências de moda da época da rainha. O trabalho de Milena Canonero é glorioso e digno de tornar o filme uma referência fashion.

A cena em que Maria Antonieta faz compras com as amigas, e outra em que a Delfina vai a um baile em Paris, em meio a uma profusão de doces, taças de champanhe, jóias e vestidos, são deliciosamente divertidas e exemplificam o ótimo e intenso trabalho da produção.

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A trilha sonora também é um dos pontos altos do filme. Sofia Coppola criou uma identidade musical própria (como sempre faz em seus filmes), - que condiz com sua abordagem da vida de Maria Antonieta. A diretora buscou referências na New Wave, Pop e Rock dos anos 80, de bandas como Siouxsie And The Banshees, The Cure, Bow Wow Wow e New Order. Tudo isso flui muito bem durante a trama e contribui para o ícone da Maria Antonieta superstar. Coppola também mesclou todos esses ritmos à música clássica de Vivaldi e óperas setecentistas, alternando entre a euforia e a melancolia da vida da rainha.

O triste fim de Maria Antonieta está inserido de forma excelente no final da trama, não alterando sua proposta nem dando aquela impressão de que "faltou alguma coisa". Sofia Coppola termina seu filme sugerindo ao público o futuro dramático e o trágico e conhecido fim da última rainha da França.

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