vitor dirami

A beleza vai além do que podemos olhar.

Vitor Dirami

5 filmes para nunca esquecer

Seja a procedência, o elenco, a direção, o roteiro...O resultado final é uma obra-prima! Inesquecível para o público. Estes cinco longa-metragens marcaram época. Se já viram, vale a pena rever mais uma vez, se não, não podem perder a chance de assisti-los.
PS: cuidado para não se envolverem demais com as histórias.


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Cinema francês, Hollywood, grandes divas, diretores consagrados, livros ou peças de teatro romanceados. O que é necessário para fazer um filme inesquecível? Todos estes itens, mas os grandes clássicos também tem pelo menos um ponto em comum: mexem demais com a plateia. E este também é o ponto que une os filmes listados aqui, agora. Fujamos um pouco dos top 5 tradicionais. A maioria das produções aqui assinaladas, podem não ser do conhecimento de todos, mas são tão boas quanto os clássicos já apontados várias vezes. E fazendo mais uma observação novamente: cuidado para não se envolverem demais depois de assistir-los, porque é impossível ser blasé com esses filmes. Touché!

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A Noite dos Desesperados (They Shoot Horses, Don't They? - 1969)

Duro de ver, impossível de ser digerido. Assim pode ser resumido esse drama do diretor Sidney Pollack, estrelado por Jane Fonda. O roteiro é uma adaptação do romance homônimo de Horace MacCoy. A história é ambientada nos anos 30, durante o período da grande depressão americana. Naquela época, com a imensa população desempregada e o país coberto por uma nuvem negra, os muitos que não tinham nada a perder se arriscavam em desumanas maratonas de dança em pares, em troca de um pouco de comida, abrigo e alguns trocados. A competição os levava a dançar até a própria morte, em partidas extenuantes e exaustivas, que duravam dias e semanas sem fim. O filme foi uma das primeiras chances de Jane Fonda mostrar seu talento dramático, depois de saturar a imagem de sex-symbol promovida pela sua participação em Barbarella (1968); a atriz arrematou uma indicação ao Oscar de melhor atriz pelo filme. Com um elenco sem grandes nomes, co-estrelado por Michael Sarrazin e Susannah York, e um diretor que havia feito poucos filmes anteriormente. Jane Fonda está brilhante no papel de Gloria Beatty, uma mulher que também se arrisca a participar da cruel maratona de dança, apesar de ser uma das poucas que tem noção do horror que a cercava. O mais difícil de encarar é que essas maratonas de dança realmente existiram durante a grande depressão, e o filme mostra com dureza, toda a crueldade da competição e a grande farsa envolvendo tudo aquilo. As cenas são fortíssimas, e é impossível não se sentir muito mal depois de assistir-lo. A produção esmerada, a fotografia lindíssima, a trilha sonora melancólica, as atuações extenuantes, resultou em nove indicações ao Oscar, sendo o filme recordista de indicações entre os filmes que não foram indicados ao Oscar de melhor filme.

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A Verdade (La Verité - 1960)

Um filme provocador, ousado. Estrelado pela maior celebridade de seu tempo e o diretor mais ácido do cinema francês. A Verdade de Henri-Georges Clouzot com Brigitte Bardot é um filme instigante que não busca respostas, nem explicações. O objetivo é provocar e deixar o público sem palavras perante uma obra-prima. O filme, narrado em flashback, se passa durante o julgamento da jovem Dominique Marceau (Brigitte Bardot), julgada pelo assassinato do seu amante Gilbert Tellier (Sami Frey). Durante o processo, todos os ângulos da vida e da história da ré são apontados e julgados, com o único objetivo de se encontrar a verdade. Dominique é uma jovem inquieta, que troca uma vida monótona na casa dos pais pelo frenesi de Paris. Lá, ela se envolve com Gilbert, que é o seu oposto, e namorado de sua própria irmã. Ao longo da história, acompanhamos o desenlace do romance de idas e vindas de Dominique e Gilbert, e a destruição dela, que vai até o fundo do poço, culminando no assassinato dele. Durante a trama, são mostradas as supostas "verdades" acerca do caso, mas a única verdade que Clouzot quer mostrar é que não existe uma verdade absoluta, tecendo uma elaborada crítica à preconceituosa sociedade francesa. Dominique é um personagem complexo demais e sua complexidade torna impossível julgá-la como culpada ou inocente, se parece muito com a própria Bardot da época. Aprisionada e vítima de um mundo ao qual ela não pertencia. A atriz francesa está em sua melhor interpretação, este é o seu filme preferido; Clouzot foi o primeiro a lhe dar a chance de mostrar seu talento dramático. As cenas no tribunal são marcantes. A Verdade foi um grande sucesso, sendo elogiado unanimente pela crítica europeia, e Bardot finalmente aplaudida como uma verdadeira atriz. O filme foi indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro de 1960, porém, perdeu para o não menos brilhante Duas Mulheres (La Ciociara,1960); de Vittorio de Sicca com Sophia Loren.

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Quem Tem Medo de Virginia Woolf? (Who's Afraid of Virginia Woolf? - 1966)

Há filmes fabulosos, mas, poucos que honram a sétima arte como Quem Tem Medo de Virginia Woolf?. Adaptação da peça teatral homônima de Edward Albe, o primeiro filme da carreira do consagrado diretor Mike Nichols tem como trunfo as interpretações magníficas do casal de protagonistas Elizabeth Taylor e Richard Burton. Na trama, os dois são Martha e George, um casal de meia-idade rabugento, que vive entre tapas e beijos. Numa noite, após uma bebedeira na casa do pai de Martha, que preside a universidade onde George leciona, o casal retorna à sua residência e recebe um jovem casal que também estava na festa do pai de Martha, Nick (George Segal) e Honey (Sandy Dennis). Nick e Honey também estão bêbados e constrangidos do comportamento cada vez mais lamentável de Martha, que se insinua abertamente para Nick e humilha George entre berros e insultos. Aquela situação cada vez mais vergonhosa piora quando George, insultado, inventa uma espécie de "jogo da verdade" induzindo os outros a confessarem seus segredos mais íntimos. Logo, Martha e George começam a travar uma batalha de mentiras secretas e verdades escabrosas, que vão envolvendo e minando as relações de todos a sua volta, e vão culminar no triste desfecho do casal. Um dos pontos fortes do filme é o texto riquíssimo, que dá sustentação aos intrincados diálogos de Martha e George. Os joguetes de verdade e mentira também são extremamente ácidos, é quase impossível saber quando eles estão mentindo, e se tudo aquilo é fantasia ou o que é a realidade. Elizabeth Taylor, sempre belíssima e glamourosa, apareceu no filme envelhecida e acima do peso, na pele de uma velha megera dominadora e odiosa. A interpretação magistral garantiu-lhe seu segundo Oscar de melhor atriz. O filme recebeu 8 indicações ao Oscar, incluindo a de melhor filme, e venceu cinco delas.

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O Que Terá Acontecido a Baby Jane? (What Ever Happened to Baby Jane? - 1962)

Um filme multifacetado, aterrorizante, delicioso. Neste drama psicológico do diretor Robert Aldrich, baseado no romance homônimo de Henry Farrell, temos um verdadeiro duelo de titãs: Bette Davis e Joan Crawford, duas divas, dois mitos, já em idade avançada, mas em atuações fenomenais. No filme, Bette é Jane Hudson, uma artista que alcançou a fama ainda criança e ficou conhecida como Baby Jane. Agora envelhecida e esquecida pelo público, ela vive há anos encerrada em uma mansão junto com sua irmã Blanche Hudson, desde que um acidente automobilístico deixou Blanche paraplégica, encerrando sua promissora carreira e acelerando a decadência de Jane. Agora, ela está disposta a voltar ao estrelato como Baby Jane e para isso não mede esforços, passando por cima de tudo e todos. Mas, uma reviravolta na história mostrará que as aparências enganam e nem tudo é como sempre pareceu ser. Repleto de referências à outros clássicos como Psicose (sequência das cenas, cenários e adereços) e Crepúsculo dos Deuses (o mote da estrela de cinema que deseja retomar a fama); O Que Terá Acontecido a Baby Jane? tornou-se uma referência pop, cheio de momentos aterrorizantes. As irmãs Jane e Blanche, dois tipos psicológicos maravilhosos, tem uma relação de amargura, ressentimento, raiva e inveja. Se a enlouquecida Jane é o monstro que maltrata a pobre e indefesa Blanche, as reviravoltas da trama mostrarão que nem sempre foi assim. A cena em que Bette Davis infantilizada canta o grande sucesso de Baby Jane "I've Written a Letter to Daddy" é inesquecível. Indicado para quatro Óscares, o filme venceu apenas na categoria de melhor figurino e Bette Davis acabou, infelizmente, não levando o Oscar de melhor atriz.

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Os Desajustados (The Misfits - 1961)

Muitos podem estranhar a presença deste filme numa lista de filmes inesquecíveis. Mas ele tem tudo para estar nela. Extremamente injustiçado, este drama do lendário diretor John Huston, com roteiro do Arthur Miller, é estrelado por três protagonistas de muito peso: Marilyn Monroe, Clark Gable e Montgomery Clift. E é justamente a interpretação soberba dos três que o faz estar nesta lista. A trama gira em torno da personagem de Marilyn e sua relação com outros três homens. Em Reno, Nevada, as amigas Roslyn Taber (Marilyn) e Isabelle Steers (Thelma Ritter) encontram os caubóis Gay Langland (Clark) e Guido (Eli Wallach), os três desenvolvem uma amizade e com o tempo, Roslyn que é recém-divorciada e se sente solitária, acaba atraída por Gay; eles vão morar numa casa distante, que pertence a Guido e sua mulher que morreu. Lá, Roslyn e Gay vivem seu romance e constroem algo semelhante a um lar. Mais tarde, a caminho de um rodeio, os três se juntam a Perce Howland (Montgomery), um peão pobre e sem rumo. Roslyn vai percebendo que não suportará viver ao lado daqueles três homens desajustados, pois está tão perdida quanto eles. Ao longo da história, Guido descobre um grupo de cavalos selvagens Mustang na região e conta para Gay, que se entusiasma e chama Perce para caçá-los. Roslyn os acompanha ao deserto, mas se desespera quando descobre que os cavalos capturados serão vendidos para abatedouros para virarem ração para cães, o que provoca uma grave ruptura naquele grupo de desajustados. Marilyn está magnífica. Ela, sempre esnobada, nunca teve o talento verdadeiramente reconhecido, mas neste filme teve umas das poucas chances de mostrar o quanto era capaz interpretando um papel dramático. As sequências no deserto são fortíssimas. É verdade também que ela não gostou da personagem que o marido Arthur Miller criou para ela, cheia de referências a si mesma. Marilyn achou Roslyn fraca e frágil como as outras que já havia vivido no cinema, e sentiu que novamente a tinham subestimado. O filme foi um fracasso comercial, apesar da boa recepção da crítica ao excelente texto e a interpretação do trio de estrelas. As filmagens foram um verdadeiro suplício, e na própria tela, transparece o esgotamento físico e mental pelo qual passavam os protagonistas na vida real. Clark Gable morreu pouco tempo depois do fim das filmagens. Um ano depois, era a vez dela, este foi seu último filme completado. Após as mortes tristes dos três protagonistas, Os Desajustados acabou adquirindo uma imagem cult.


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