vitor dirami

A beleza vai além do que podemos olhar.

Victor Dirami

Paco Rabanne, construtor da moda

Pioneiro, Paco Rabanne transformou o traje em obra artística, revolucionou a moda nos anos 60, e ajudou a construir um novo ideal de feminilidade e beleza.


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Paco Rabanne. Foto de Pool Benainous, 1994.

Nascido no País Basco, Francisco Rabaneda Cuervo emigrou com a mãe ainda criança para a França, quando as tropas do general Franco assassinaram seu pai em 1939.

Em Paris, estudou arquitetura na École nationale súperieure de beaux-arts, o que influenciou o seu trabalho como costureiro posteriormente.

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Celia Hammond em Paco Rabanne para a capa da Vogue britânica de maio de 1966.

Depois de graduado, desenhou joias para casas de alta costura como Balenciaga, Givenchy, Nina Ricci, Pierre Cardin e André Courrèges. em 1965, Rabane ganhou notoriedade pela criação de uma linha de acessórios em rhodoid, onde se destacavam o formato geométrico e as cores fortes. No ano seguinte seria a vez dele abrir sua própria Maison de moda aos 32 anos de idade.

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O primeiro desfile de moda. Foto de Jack Robinson, Vogue, 1º de abril de 1966.

O primeiro desfile aconteceu em fevereiro de 1966, no Hotel Georges V, em Paris, onde foram apresentados doze vestidos em modelos descalças, num formato de manifesto chamado pelo criador de “Twelve unwearable dresses in contemporary materials”, causando frisson imediato. 1966 veria ainda uma coleção de moda praia elaborada com discos de rhodoid e também couro.

Definindo se desde o início como um artesão, não um costureiro, Paco Rabanne alcançou sucesso quase instantaneamente ao propor novos materiais para o vestuário numa época de experimentação intensa na moda. A mulher que vestia Rabanne era moderna, ousada e provocante.

Em plena era espacial ele inovou por dispensar as técnicas tradicionais de costura e trocar a agulha e o tecido pelo plástico e o metal, materiais então incomuns nesta área, e que se tornaram uma espécie de assinatura do designer.

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Françoise Hardy, 1968.

Suas criações logo se popularizaram depois de usadas por ícones da cultura pop sessentista como Françoise Hardy e Brigitte Bardot, atraindo a atenção de Salvador Dalí. Seus trabalhos também foram bem aceitos nos círculos de arte, ao serem expostos como obras em galeria e, depois tendo sido adquiridas pelo MoMa, em Nova York.

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Brigitte Bardot, 1968.

Não demorou para que caísse nas graças do cinema, onde vestiu Audrey Hepburn em Um Caminho Para Dois (Two For the Road, 1967) e mais notadamente os figurinos de Jane Fonda em Barbarella (1968).

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Jane Fonda caracterizada como a personagem Barbarella. Foto de David Hurn 1968.

Entre 1967 e 1970 Rabanne viveu seu período de maior sucesso, sendo reconhecido como um dos principais criadores de moda da segunda metade do século XX. Altamente inventivo, experimentava constantemente novas técnicas com papel, couro, Jersey e peles tricotadas. Suas criações de gosto futurista e que mais se assemelhavam a esculturas, estão alinhadas às vanguardas artísticas da década, tornando-se um dos seus maiores símbolos.

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Audrey Hepburn em Um Caminho Para Dois (1967).

Em 1969 ele iniciou uma bem sucedida linha de perfumes que perdura até os dias de hoje. Entre 1971 e 75 aderiu à câmara sindical da alta costura.

Ele continuou ativo por mais de 20 anos, embora seus modelos tenham declinado de gosto já nos anos 80. Paco Rabanne apresentou sua última coleção de alta costura em 1999, retirando-se do mundo da moda em seguida. No ano 2000 sua marca foi comprada pela espanhola Puig, que também administra as marcas Carolina Herrera e Nina Ricci.


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