vitrola cultural

Um pouco sobre arte, design, literatura e passado

Jannine Dias

Designer gráfico obcecada por detalhes, devoradora de livros, tiete de objetos antigos, cinéfila de terror e apaixonada por qualquer indício de passado regado à chá e chocolate.

James Wan – A face do terror moderno

James Wan é uma caixinha de surpresas e um marco para o cenário de horror atual. Aqui, um breve percurso através de suas obras como diretor.


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Conheci James Wan como a maioria das pessoas: Em filmes de terror. Embora o mesmo traga em sua bagagem filmes de ação e de temáticas mais leves, o horror é sua marca principal. Diretor, produtor e roteirista, nascido em Kuching, Malásia em 27 de fevereiro de 1977, Wan tem feito uma verdadeira revolução no gênero, silenciando as afirmações de que “o terror está morto na modernidade”. Como aconteceu com vários dos cinéfilos do gênero, inicialmente, Wan me fez estreitar os olhos. Em meio a tantos jovens diretores que produziam filmes clichês que apelavam para o sangue e mortes intensas em prol de disfarçar um roteiro ruim, confesso que não esperava nada novo, vindo do rapaz. Wan foi para mim, no entanto, uma feliz surpresa.

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Sendo uma amante de clássicos, não desisti do cenário de suspense e horror modernos, apesar de receber um golpe de decepção atrás de outro. Meu primeiro contato com James Wan foi com Jogos mortais, 2004, (Saw). Na época, ainda jovem demais, fui barrada no cinema e tive de aguardar sua chegada às prateleiras das locadoras. A ansiedade com a espera não cresceu, mesmo ao ouvir as criticas positivas sobre o mesmo. Confesso minha crença de que o filme fosse mais do mesmo, sangue jorrando na tela, mortes sangrentas e por vezes inexplicáveis, e nada muito além. Assisti sem muito entusiasmo, e acabei me surpreendendo. Sim, tinha um verdadeiro banho de sangue, mas esse não era o único ponto forte do filme. As mortes eram absurdamente interessantes e criativas, os quebra-cabeças extraordinariamente montados, a trilha sonora, um espetáculo a parte, e as cenas muito bem dirigidas. Embora as críticas tenham sido mistas, particularmente, adorei a trama e seu desenvolvimento. Foi uma produção realmente impressionante. James Wan foi um dos responsáveis pelo roteiro, e também pela criação de Billy, o intrigante e assustador boneco da franquia, que se tornou um marco. Ele também participou de toda a sequência como produtor, deixando a direção apenas para o primeiro filme.

Intrigada por James Wan, passei a tentar acompanhar mais de perto seu trabalho, me dedicando mais carinhosamente a seus filmes de suspense e terror. Soube então de um novo filme, e meu entusiasmo na espera, já existia então.

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Gritos Mortais, 2007, (Dead Silence) chegou abalando as estruturas, mesmo sendo modesto. Um filme de baixo orçamento, elenco razoável, e com alguns defeitos leves. Mas, apesar dos problemas, tornou-se um xodó. O ponto forte de Wan, já então um marco seu, se sobressai: Um suspense muito bem aplicado, com reviravoltas surpreendentes e cenas fortes, mas, inseridas de uma maneira que pode ser considerada, suave. Suas cenas de ação são bem sutis, fugindo de alguns clichês e, embora caiando em outros, é bem gostoso de ver. A utilização de bonecos, como sempre, é feita com maestria, por Wan. As aparições de Mary Shaw são raras, sutis e apavorantes, e a história que gira em torno dela, extremamente interessante. Considero um bom filme, apesar dos problemas existentes, ainda que os efeitos especiais não sejam tão bons nem os personagens e diálogos tão marcantes, é uma ótima fonte de entretenimento.

"Fuja do olhar de Mary Shaw. Não tinha filhos, apenas bonecos. E se um dia com ela você se encontrar, tome cuidado para jamais gritar. E caso com ela venha a sonhar, só uma coisa poderá lhe salvar: silêncio. Shhh..."

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Em 2010 (estreando no Brasil em 2011) veio Sobrenatural (Insidious) e sua seqüência. Sendo a primeira vez que James Wan se dedica, então, à ser diretor de uma sequência, não era necessário ser afirmado, o carinho especial que o mesmo nutria por Sobrenatural. A partir de então, firma-se o trabalho de Wan com investigadores paranormais e as minúcias das investigações no mundo sobrenatural, que viria a ser ainda mais explorada no filme que viria a ser considerado seu maior sucesso, Invocação do mal. A trama é muito bem construída, e a abordagem de assombrações e locais assombrados foram abordadas de forma a parecer mais críveis, sendo sutis, uma marca registrada de Wan. O filme e a sequência, garantiram à James Wan, um lugar no coração dos críticos e cinéfilos do gênero.

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Invocação do mal, 2013, (The Conjuring), porém, roubou os corações, calejados pela freqüência de filmes ruins atuais, de qualquer fã do gênero. É considerada a obra prima de James Wan, e com razão. A trama é envolvente ao extremo, os efeitos convincentes, os fenômenos tão sutis que pareciam reais, os exageros foram mínimos, e mesmo regrada à quase todos os clichês do cenário de horror, foram pertinentes e muito bem aplicados. As transições de cenas e truques de câmera foram incríveis, a trilha sonora deliciosa, e ornou absurdamente com o filme todo em si. As referências aos grandes clássicos do terror foram mais do que empolgantes, deliciaram qualquer um que já houvesse tido contato com qualquer um deles. Uma sensação de homenagem muito bem realizada, me invadia a cada percepção de referências. A tensão está em cada cena, espreitando os personagens, surpreendentemente interessantes, e o expectador. Há na trama tantos personagens, e no “museu” bizarro de Lorraine Warren e seu marido Ed, investigadores paranormais, tem conteúdo suficiente para ser explorado em mais uma quantidade absurda de filmes. James Wan é considerado um talento, e após o sucesso de seu filme de ação e Sentença de Morte, pode-se nutrir grandes expectativas por seus títulos, independente do gênero. Lembrando que seu mais novo trabalho como diretor, velozes e furiosos 7, estará em breve nas telonas brasileiras.


Jannine Dias

Designer gráfico obcecada por detalhes, devoradora de livros, tiete de objetos antigos, cinéfila de terror e apaixonada por qualquer indício de passado regado à chá e chocolate..
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