vitrola meu vinil

Música antes de mais nada!

Vanessa Oliver


Toca Raul, meu Pai e o Vinil...

A descoberta do Vinil e seus prazeres.


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Já dizia Raul em um de seus trechos: "Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo..." E assim, aos 7 anos eu conheci a arte do Vinil e de Raul, essa música em si foi a primeira dele que eu escutei em Vinil... Lembro que meu pai era expressamente apaixonado, e na sua estante além de Raul, tinha clássicos como The Beatles, The Doors, Zé Ramalho, Pink Floyd,Camisa de Vênus, Chuck Berris e tantos outros feras. É estranho definir hoje em palavras o que é parar tudo para escutar um vinil, a sensação é bem indescritível, hoje se coloca música para arrumar a casa, fazer qualquer outra coisa que não seja parar para escutar, mais eu posso tentar dizendo que naquela época as pessoas tinham esse "momento", a espera pelo álbum novo era o primeiro quesito, logo depois da compra, a vitrola já gritava querendo agulhar o novo som, aquele início da agulha reconhecendo a música era o auge... Não havia intervenção, e do lado A ao lado B sentia-se demasiadamente a música, era como se o objetivo tivesse sido alcançado, seja ele pela banda, o cantor ou pela gravadora.

As melhores lembranças da minha infância foram sim, a biloca, a pipa, o pique-esconde (Eu não curtia bonecas, rs) e tantas outras brincadeiras de rua, a brincadeira de casa era com o meu pai e o nosso Vinil, quanto mais melhor, cada aquisição era uma grande alegria, desde a capa, do arranhar da agulha até o Gran Finale do Lado B. Um êxtase vivificante!

Me sinto realmente privilegiada de ter pertencido aos anos 80, onde o Rock era voz, onde a música não oscilava e onde sempre havia um "TOCA RAUL" por onde quer se andava, havia uma galera reunida discutindo sobre os álbuns e suas expectativas para o próximo. Hoje na era digital, vivemos a mercê dos mp's, das músicas para baixar, e de muita pirataria. Aonde estão os Discos de ouro? de platina talvez? Quem sabe encontramos na banquinha da esquina...Harsh Reality!!!

E hoje vejo que o trecho de Raul já não me veste tão bem, porque na música e acerca do vinil eu ainda prefiro ter minha "Velha opinião" formada e não mais guardada pra mim.

Espero que essa nova geração tão "Cool" e descolada aprenda com seus pais, avós, e os "antigos" o que foi para a geração deles a Música, o Vinil e suas vertentes. Que nós estejamos abertos a trazer de volta uma arte que jamais deveria ter perdido espaço. E como diz meu "Velho" - "Há coisas que nunca deveriam mudar..."

... Toca um Vinil!!!


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