O humor divino de Laerte

Um dos mais brilhantes cartunistas brasileiros inovou ao criar um personagem capaz de agradar a todos sem ser ofensivo: Deus


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Na contracapa do livro Deus Segundo Laerte, que reúne algumas das tirinhas de um dos mais criativos cartunistas do país, a bem-humorada sinopse já explica que quem acha graça em Deus são “anjinhos em início de carreira; ateus empedernidos, mas abertos para o novo; caras legais com vaga num céu alternativo e beatas famintas do fruto proibido”.

Ao longo de sua carreira Laerte Coutinho inovou de diversas formas em seu trabalho, desde o projeto Los Tres Amigos, com Angeli e Glauco, até os dias de hoje. Uma das maiores inovações, no entanto, certamente foi quando ele resolveu mexer com o Todo-Poderoso. Falar sobre Deus e de forma bem-humorada em um país extremamente religioso é sempre perigoso. Mas Laerte não se acanhou, e criou aquele que viria a ser um dos seus mais bem-sucedidos personagens: Deus.

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À medida que as tirinhas eram publicadas, Laerte foi ganhando a atenção dos mais diversos públicos, desde ateus aos católicos fervorosos. Os leitores entenderam que era possível sim brincar com Deus sem ser agressivo ou desrespeitoso.

Com sua genialidade, Laerte conseguiu criar um personagem cômico e capaz de entreter gerações. Quem já leu essas tirinhas, certamente se lembra de Deus tentando converter o rabugento Argeu, ou organizando o temido Juízo Final.

O resultado disso foi parar em três livros extraordinários, lançados a partir de 2000, e hoje encontrados com certa facilidade em sebos e livrarias.

Com seu trabalho, Laerte fez mais do levar a graça divina aos leitores. O que ele fez foi mostrar a todos que Deus, com Sua onipotência e onipresença, é um humano, demasiado humano.

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