Quando Chaplin se tornou Hitler

Ao satirizar líder nazista, cineasta fez um importante alerta ao mundo


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Em 1940 Chaplin já não precisava mostrar para ninguém que era um gênio. Já havia feito inúmeros curtas e imortais longas-metragens, como é o caso do belo Luzes da Cidade.

Foi ele que teve coragem de expor o abuso cometido pelas indústrias na busca incessante pelo lucro financeiro em Tempos Modernos, lançado dois anos antes. Parecia que depois disso Chaplin não poderia ir além, mas a sua criatividade novamente surpreendeu.

Em 40 saiu o longa que muitos acreditam ser a maior obra-prima do cineasta: O Grande Ditador. O filme possui a interpretação e o humor precisos de Chaplin, mas se destaca, sobretudo, pela séria crítica que faz à Segunda Guerra Mundial, que havia explodido um ano antes.

Com isso, mais uma vez, o inglês demonstrou que o humor não é apenas uma ferramenta para a diversão, mas também para a denúncia. Ao interpretar dois personagens totalmente diferentes, um barbeiro judeu e um ditador antissemita, Chaplin mostrou o quanto Hitler se fortalecia, ao passo que os judeus eram humilhados e mortos.

Em uma das cenas clássicas do filme, o inocente barbeiro tem seu estabelecimento pichado com a palavra “judeu”, como se aquilo fosse um xingamento. Aquele retrato era perfeitamente fiel ao que estava ocorrendo no mundo. Um grupo de pessoas havia espalhado uma mensagem de ódio, enquanto um grupo ainda maior passou a seguir esta ideologia, que aniquilava – física e moralmente – um povo.

A cena em que o ditador – no filme chamado Hynkel – brinca com o globo é um dos mais importantes alertas que Chaplin fez ao longo de sua carreira. O pequeno homem brincando com um balão como se fosse uma criança queria e lutaria por todo aquele território.

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Hitler estava mais forte do que nunca, e precisava ser enfrentado. Para isso, Chaplin utilizou aquilo que o ditador possuía de melhor: a fala. O cineasta rompeu a sua resistência em não utilizar diálogos em seus filmes e fez um discurso de mais de três minutos.

As palavras saíram da boca do barbeiro judeu, que por uma série de acontecimentos, acabou sendo confundido com o ditador e tomando o seu lugar. O discurso é o ponto alto do filme e um dos momentos mais célebres de toda a carreira de Chaplin. Mesmo com a censura em diversos países, o discurso pôde chegar aos ouvidos de muitas pessoas que estavam entorpecidas pelas palavras e ideias de Hitler.

Hoje, quase 70 anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial, no entanto, o que assusta é que frases utilizadas no discurso do barbeiro como "A ganância envenenou a alma dos homens, e barricou o mundo com ódio" e "Mais do que máquinas, precisamos de humanidade" parecem mais atuais do que nunca.

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