Escher: quando até a gravidade deixa de ser real

Artista gráfico holandês apresentou mundo parecido com o dos sonhos em suas obras


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As estradas levam a várias direções contraditórias; os pássaros podem ser peixes; as mãos se desenham e quase nada é o que realmente parece. A mente por trás dessas criações não pode ser comum. Ou ela é incrivelmente visionária ou profundamente perturbada.

O artista gráfico M. C. Escher foi um grande gênio e para assim ser considerado é requisito básico não ser convencional. O holandês sempre foi bastante ousado e criou algumas das mais importantes obras de ilusão de ótica da história da Arte.

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Com seu trabalho, ele conseguiu provocar os contempladores de suas ilustrações. Ainda hoje, mais de 60 anos depois de algumas das mais importantes obras de Escher terem sido criadas, as pessoas se sentem hipnotizadas diante do seu trabalho e olham várias e várias vezes a mesma ilustração, só para conferir aquilo que observaram.

Em suas obras, Escher criou um mundo próprio. Um mundo bem parecido com o dos sonhos, onde realidades se misturam e mesmo as mais severas leis, como a da gravidade, são anuladas. O holandês demonstrou que ao menos na Arte várias possibilidades podem se unir, rompendo barreiras como a do tempo e a do espaço.

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E é justamente o espaço que sempre despertou os mais profundos questionamentos e reflexões de Escher. “Nós não conhecemos o espaço. Não o vemos, não o ouvimos, não o sentimos. Não sabemos nada a seu respeito. Eu posso medir a distância entre uma árvore e mim, mas quando digo ‘três metros’, esse número não revela nada de misterioso. Vejo apenas as fronteiras, as marcas, não vejo o espaço. A coceira na pele causada pelo vento que sopra sobre a minha cabeça não é o espaço. Quando sinto um objeto em minhas mãos, não sinto o objeto espacial em si. O espaço permanece inescrutável, um milagre”, escreveu, brilhantemente, Escher.

Com essa afirmação, o holandês reforça o que muitos já sabem: a inspiração dos mais brilhantes artistas sempre surge de questionamentos simples. Talvez, então, a simplicidade seja o mais importante alimento da alma e, é claro, da Arte.

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