Nico Demo, o lado endiabrado de Maurício de Sousa

Personagem censurado nos anos 60 infernizava a vida dos outros, mesmo quando parecia bem intencionado


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Conhecido como o criador da Turma da Mônica, Maurício de Sousa é, sem dúvida, um dos mais respeitados cartunistas do Brasil. Suas histórias sobrevivem ao tempo e são capazes de entreter várias gerações. O que nem todos sabem, porém, é que nos anos 60, Maurício de Sousa possuía um personagem muito mais levado que Cascão e Cebolinha juntos: Nico Demo.

Como o próprio nome sugere, o menino é daquele tipo que as mães definem como “o capeta em pessoa”. Suas tirinhas, publicadas no Jornal da Tarde a partir de 1966, não possuíam texto e mostravam as confusões causadas por Nico, muitas vezes com uma pequena dose de humor negro. Naturalmente, pela situação em que se encontrava o país diante a Ditadura Militar, as tirinhas foram censuradas.

Mas a ação do governo não impediu que as tirinhas sobrevivessem e hoje elas são facilmente encontradas na internet e em livros.

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O cômico de Nico Demo é que o personagem sempre prejudica as pessoas, mas parece fazer isso com boa intenção. Talvez seja inocência, mas também pode ser pura maldade.

Os traços deixam claro que foi Maurício de Sousa que o desenhou, mas o conteúdo é bem distinto. As “piadas maldosas” muitas vezes envolvem moradores de rua, cegos, surdos e idosos.

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Hoje a Ditadura Militar não está mais implantada no país, mas provavelmente as tirinhas, embora muito divertidas, ainda não seriam bem vistas.

A sociedade parece estar regredindo em relação ao humor, e as piadas de Maurício de Sousa certamente seriam vistas como agressivas ou uma forma de incentivo ao bullying.

Mas quem conhece Nico Demo não nega: o lado endiabrado de Maurício de Sousa é tão, ou talvez até mais, genial quanto a eterna Turma da Mônica.

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