Apenas mais um sobre O Pequeno Príncipe


O-Pequeno-Principe-Antoine-de-Saint-Exupery.jpg

Provavelmente o erro mais comum em relação à arte é a visão medíocre de que ela é feita exclusivamente para o entretenimento. Obras de relevância e amplo significado são colocadas lado a lado com produções descartáveis, e posteriormente rotuladas como mais uma ferramenta da “perversa” indústria cultural, que “aliena as pessoas e faz com que trabalhem sem questionar um diabólico sistema capitalista global no qual estão inseridas”.

Limitar a arte como uma forma de passatempo, ignorando a sua relevância para a formação crítica intelectual, é tão assustador e inocente quanto acreditar que O Pequeno Príncipe, do francês Antoine de Saint-Exupéry, seja um livro infanto-juvenil.

Sim, o protagonista é uma criança e os animais falam. Mas isso não o torna, de forma alguma, uma obra infantil. La Fontaine é a prova de que os animais têm muito a ensinar aos humanos; e O Pequeno Príncipe é a prova de que os homens insistem em não aprender com eles.

Com poucas páginas e prosa poética, o livro de Saint-Exupéry fala sobre tudo aquilo que a gente sabe quando é criança, mas se esquece logo que as espinhas começam a aparecer.

O Pequeno Príncipe nos ensina sobre amor, relacionamentos, amizades e a grande responsabilidade que assumimos quando cativamos alguém. Não, esse não é um livro de autoajuda. Ele não foi feito para dizer que as pessoas são especiais e que sonhos sempre se tornam realidade. A sua grande lição é bem simples e bem coesa: o essencial é invisível aos olhos.


version 4/s/literatura// @destaque, @hplounge, @obvious, @obvioushp //Bruno Inácio