Você não precisa gostar só porque é um clássico


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Em um dos episódios mais recentes de Os Simpsons, a garotinha Lisa criticou um falsificador de arte por pintar réplicas de quadros famosos e receber por isso. Ele imediatamente rebateu a crítica e disse que Lisa só havia valorizado o quadro depois que pensou que fosse de um artista famoso, o que realmente ocorreu ao longo do episódio. Portanto, ela estava tão errada quanto ele, ou talvez até mais.

Lisa é inquestionavelmente inteligente e uma verdadeira admiradora das artes, assim como tantas outras pessoas que cometem o mesmo erro que ela. Existem artistas considerados sagrados e outros tidos como malditos. Para muitos apreciadores da arte, o primeiro grupo jamais deve ser criticado, e o segundo jamais elogiado.

Este é um pensamento bastante equivocado, pois limita aquilo que é uma das maiores riquezas do ser humano: o senso crítico. Não é porque foi Dostoiévski que escreveu que precisa ser genial, da mesma forma que não precisa ser um lixo porque foi Paulo Coelho que escreveu.

Há um grande preconceito artístico, que estabelece que a produção cultural de qualidade é aquela conservadora. São sempre os mesmos nomes e as mesmas ideias. É evidente que todos esses nomes merecem respeito, mas para fugir do óbvio, é necessário, sobretudo, coragem.

Coragem para dizer que aquele filme do Chaplin não é tão bom quanto os outros, que o Chico não acertou naquela canção e que aquela obra literária clássica é entediante. É preciso coragem para rir do Jim Carrey, para elogiar um best-seller e admitir que aquela canção que toca na rádio é boa.

Não é preciso descobrir que a obra é de um artista famoso ou importante para então valorizá-la. Os quadros, as notas e os parágrafos geniais estão à nossa volta. Nem sempre em museus, bibliotecas e galerias, mas também em escolas, universidades e até rabiscados em um caderno qualquer. Só precisam ser encontrados. Só precisam que entendamos que os artistas clássicos podem ser os melhores, mas não os únicos.


version 4/s/recortes// @destaque, @hplounge, @hp, @obvious, @obvioushp, @obvious_escolha_editor //Bruno Inácio