I Know it’s over: a alma melancólica de Morrissey

Ex-líder do The Smiths foi a voz de uma geração que sentia medo, solidão e timidez


Morrissey.jpg

Como muitos artistas brilhantes, Morrissey, ex-vocalista do The Smiths, parece ser dono de uma alma profundamente atormentada. Suas letras somadas à voz grave não deixam dúvidas de que ali existe sofrimento. Não há como escrever os versos de “I know it’s over” e “Asleep” sem sentir dor na alma, mesmo o poeta sendo um fingidor, como já dizia Fernando Pessoa.

Nos anos 80, a morbidez de Morrissey foi compreendida por milhares de jovens justamente porque todos eles – cada um à sua maneira – sentiam exatamente aquilo que o vocalista cantava. A tristeza, a timidez, a decepção e a solidão não eram problemas exclusivos da juventude na década de 80, mas sim da humanidade.

Morrissey ganhava dinheiro cantando as suas desgraças, assim como Cazuza afirmou que fazia em determinado momento de sua carreira, já sabendo ser portador do HIV.

No entanto, se Cazuza era movido a festas e sexo, Morrissey era exatamente o contrário. Era calado, melancólico e chegou a abdicar do sexo por um período em sua vida. É também um grande crítico da política inglesa e defensor do vegetarianismo.

Mesmo durante a carreira solo, repleta de altos e baixos, Morrissey continuou tendo o sofrimento como a sua principal matéria-prima. Manteve-se como o porta-voz de todos aqueles que, assim como ele, se sentiam deslocados ou mesmo desamparados.

Fez parte de um novo movimento musical, que se derivava do punk, mas ao invés de fúria tinha a melancolia como ingrediente indispensável. Tornou-se uma versão moderna dos poetas ultra-românticos e uma alma muito parecida com a do líder da Legião Urbana, Renato Russo.

Morrisey foi mais uma prova de que aquilo que o poeta Mário Quintana estava certo ao dizer que a felicidade bestializa e que só o sofrimento humaniza as pessoas.


version 6/s/musica// @destaque, @hplounge, @hp, @obvious, @obvioushp, @obvious_escolha_editor //Bruno Inácio