O existencialismo em The Dark Side of the Moon

Obra-prima do Pink Floyd abordou temas que mexem profundamente com a razão e a emoção de qualquer pessoa


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O Pink Floyd nunca foi uma banda convencional. Prova disso, é que as pessoas tendem a amá-lo ou odiá-lo. Quando se trata dessa banda, meios termos são raros. Seus integrantes pensavam em transmitir, em meio àquela sonoridade bem elaborada, reflexões abrangendo as eternamente conflitantes razão e emoção. O quarteto conseguiu fazer com que seus fãs sentissem e pensassem ao mesmo tempo. E tudo isso com intensidade.

O ápice desse trabalho talvez tenha sido em 1973, quando foi lançado o aclamado The Dark Side of the Moon. No álbum, as canções ganham caráter existencialista, mas com temas bem contemporâneos, como a sensação de que o tempo passa mais rápido, o apego ao dinheiro e a solidão.

As batidas de coração que abrem – e depois encerram – o disco dão lugar a uma série de sons relacionados às canções que estão por vir. O clima de desespero e insegurança logo dá lugar às primeiras notas de Breathe, música que fala sobre os altos e baixos – mais baixos do que altos – da vida, com linguagem poética e muitas vezes metafórica.

O último verso se liga a On the Run, na opinião de muitos a mais “viajante” canção do disco. Quando ela chega ao fim, surge, literalmente, o despertar. Os sons altos e agudos de relógios lembram que o tempo está passando, quer você queira ou não. A letra de Time é provavelmente a mais profunda do disco. Narra a história dos integrantes do Pink Floyd, a minha e a sua.

As horas estão cada vez mais rápidas e o tempo para fazer o que se quer é cada vez menor. Não há como lutar contra isso. Dia após dia mais próximo da morte, até que você percebe que já perdeu sua infância, sua adolescência, sua juventude...

The Great Gig in the Sky está entre as canções mais melancólicas do Pink Floyd. Não há letra. Apenas a bela voz da cantora Clare Torry expressando – e muito bem – os sentimentos de tristeza e desespero. Seus gritos encerram o lado A do disco de vinil.

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No lado B, a primeira faixa é a popular Money, que começa com o inconfundível som de uma caixa-registradora. A cobiça e o sentimento de ser alguém melhor por ter mais dinheiro são diretamente tratados ao longo da canção, muitas vezes com versos irônicos.

Em seguida, a bela Us and Then dá um ar poético como o de Breathe, mas com ainda mais metáforas. Outra instrumental, Any Colour You Like, funciona como a ligação perfeita entre Us and Then e Brain Damage, canção com versos fortes a respeito de vozes que ecoam na cabeça de todos nós.

Por fim, Eclipse, última música do álbum. Seus versos – em conteúdo e estrutura – parecem com uma bela poesia, capaz de mostrar que tudo em uma vida pode estar ligado. Então surgem as batidas de coração, anunciado que o disco chegou ao fim. Hora de ouvi-lo novamente.

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version 4/s/musica// @destaque, @hplounge, @obvious, @obvioushp //Bruno Inácio