Não quero cantar “Exagerado”

A necessidade de saber ser um antes de decidir se juntar à outra pessoa


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E eu não vou cantar que sou exagerado e estou jogado aos seus pés; nem perguntar o que faço eu da vida sem você. Não vou deixar subir essa euforia que vez ou outra aparece quando um olhar encontra um sorriso.

Aprendi - finalmente - que a música mais certa é aquela do U2, que diz que não posso viver com ou sem você. Aliás, o mais certo seria que na verdade posso, sim, viver com ou sem você. E essa deveria ser a primeira norma de um relacionamento: podemos viver um sem o outro, apenas não queremos.

O problema é que por comodismo - ou talvez por loucura - o amor vai se tornando dependente, psicótico e confuso. A gente passa a depender de uma pessoa da qual não precisávamos antes de ela aparecer. Quando ela vai embora, leva nosso chão, nosso céu e nossa cor. Mas não deveria.

Nosso chão, céu e cor são de nossa responsabilidade. Não dá para jogar nas costas de outro o direito de ser feliz. É um fardo muito grande e pesado, que mais cedo ou mais tarde, acaba caindo. Antes de estar a dois, é preciso saber ser um.

É necessário entender que não há metade da laranja, tampa da panela, nem o homem ou a mulher da sua vida. Cada um é o homem ou a mulher da própria vida.

O que as pessoas fazem - ou ao menos deveriam fazer - é somar, e não dividir. Um mais um é igual a dois, e não igual a um. Se essa conta básica está dando um resultado diferente, há algo de muito errado ali.

Duas pessoas não precisam ser totalmente opostas, mas também não precisam ser exatamente iguais, afinal, celebrar as diferenças é o que torna o amor o sentimento mais nobre de todos. Por isso, antes de encontrar quem você procura pelos bares, shoppings, cinemas e festas, é preciso se encontrar dentro daquilo que chamamos de alma.


version 1/s/sociedade// //Bruno Inácio