Sobre os olhares

Mesmo mudos, os olhos revelam o que há de mais belo e de mais insano nas pessoas


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Sinceros, tímidos, apaixonados, brilhantes ou cheio de lágrimas. Para quem se atenta, os olhares falam muito mais do que qualquer boca, mesmo as mais conversadoras. E entender o que eles dizem é tão fundamental quanto compreender qualquer palavra, em todo tipo de diálogo. Os olhos não mentem, embora vez ou outra fujam ou se escondam. Naquela íris e naquela pupila estão todas as dores, glórias e emoções de qualquer pessoa.

Mas olhar nos olhos dá um medo enorme. Olhares são abismos e enxergá-los é mergulhar sem pensar duas vezes. É entender que bem ali, na sua frente, há uma história, que como a sua, é repleta de incertezas, devaneios, inquietudes e solidões. Encarar um olhar é se atentar a emoções e medos que não lhe pertencem, mas que você aceitou conhecer e fazer parte.

Não se trata daquela questão de comunicação corporal. Os olhos falam de outra forma. Não são desejos do inconsciente, mas sim da alma. E para conversar com os olhos não é preciso existir uma conexão anterior já estabelecida. Não precisa ser um diálogo em silêncio entre namorados, pais e filhos ou amigos de longa data.

Os olhos daquela senhora com quem você cruza indo trabalhar; os do padeiro e os daquela garota com quem você sempre quis falar, mas nunca teve coragem, também estão repletos de histórias e sentimentos, que por não caberem em parte alguma do corpo, transbordam justamente dos olhos.

É tudo muito simples, extremamente sutil. E talvez por isso seja tão difícil notar. As complexidades criadas pelo homem geraram barreiras para os relacionamentos. São muros enormes, quase inquebráveis, mas ainda assim facilmente derrubados por um olhar.


version 3/s/sociedade// @destaque, @obvious //Bruno Inácio