As pequenas felicidades

Filme "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain" apresenta sutileza ao responder quem as pessoas realmente são


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Gosto de tomar café em copos e detesto ventiladores. Minha mãe gosta de andar, e nunca votou no PT. Meu melhor amigo toma uma lata de leite condensado sozinho, e não gosta de futebol. Minha melhor amiga adora cervejas não convencionais, e não suporta que usem a palavra "poser".

Parece desconexo, mas se fôssemos personagens do filme francês "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain" talvez seríamos definidos desta forma. Tão sutil e profundo, ao mesmo tempo. Não importaria o nosso grau de instrução, nossos empregos ou contas bancárias. Seria apenas algo que nos agrada e uma coisa da qual não gostamos. Simples, mas preciso.

A proposta do filme - que descobri muito tardiamente - é exatamente essa: a simplicidade. É se lembrar que a vida não é feita só de grandes conquistas. Não é apenas concluir a faculdade, conseguir o emprego dos sonhos, constituir uma família, ganhar na mega-sena ou ir ao show do Sting. Tampouco é ter um carro novo ou fazer uma viagem a um país europeu. É claro que tudo isso importa, e muito! Mas essas são as grandes conquistas. Elas não ocorrem diariamente. Já as pequenas felicidades podem (e devem) ocorrer.

Não, esse não é um texto de autoajuda. Não vou propor uma mudança profunda em sua vida, na busca pela valorização dos pequenos momentos. Também não vou sugerir que faça como Amélie Poulain e saia por aí proporcionando pequenas felicidades aos que cruzam o seu caminho.

Mas vou lhe propor um olhar diferente. Uma autoanálise de quais são, no fim das contas, as suas pequenas felicidades. Assim os seus dias poderão ter prazeres que foram deixados de lado, ou talvez até esquecidos. Poderá encontrar um tempinho para andar descalço, para sentir o cheiro da grama, para olhar a lua, para balançar na rede, deitar no chão frio, comer uma maçã, ler um poema, desenhar o Mickey...

Talvez - embora a gente insista em não perceber - sejam essas pequenas coisas que realmente importam. São dos sorrisos que tive naquele dia que me lembro quando deito para dormir. Se não houve nenhum, meu dia foi anulado, mesmo se a carteira estiver cheia e o boletim repleto de boas notas.


version 3/s/cinema// @destaque, @obvious //Bruno Inácio