All you need is love

Sobre a importância do amor para uma geração que parece ter se desligado desse sentimento


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Sabia a respeito da métrica, conhecia as escolas literárias, entendia das figuras de linguagem, lia os maiores poetas, mas ainda assim não conseguia um verso sequer. Não faltava conhecimento, mas sim paixão.

A referência a um pseudopoeta que não consegue escrever, embora carregue embasamento teórico para cumprir tal função, é o reflexo de uma geração desencontrada do amor. Pessoas que buscam a coisa certa, mas pelo motivo errado. E isso, de nada adianta. Nunca adiantou.

O amor neste contexto não se limita ao sentido romântico do sentimento. Essa, inclusive, é só mais uma entre tantas formas de amor, embora, por algum motivo, seja convencionalmente tratada como a principal.

Amor aqui ganha um sentido muito mais amplo, muito mais profundo. Representa o amor à profissão, em uma época em que boa parte dos vestibulandos escolhe o seu curso com base exclusivamente na remuneração; amor à conversa, em um período em que o silêncio se faz presente entre familiares, amigos e namorados; amor ao amor, em um momento em que gentilezas são raridades, olhares não se encontram e solidões gritam por todos os cantos.

Talvez seria exagero (ou uma saída fácil) jogar toda a responsabilidade destes desencontros na tecnologia. A princípio é ilógico e até contraditório as conexões terem desconectado as pessoas. Porém, não é justo (mesmo que pareça!) jogar todo esse fardo nas inovações dos últimos anos. As pessoas estão sozinhas por muitos outros motivos.

Fomos condicionados a viver como estatísticas. Enxergamos números, grupos e gostos. Não vemos mais pessoas. É essa mania de querer agrupar tudo - ignorando as individualidades - que faz com que o homem fique mais frio, mais disperso, mais solitário.

Como se não bastasse, a felicidade, para muitos, é um conceito utópico. Diante disso, se autossabotam quando estão prestes a se tornar felizes. É como se fosse muito perfeito para ser real. Um grande número de pessoas não se considera digno da felicidade verdadeira, e então foge dela com os mais babacas dos motivos: "esse trabalho fica muito longe da minha casa", "o signo dela não combina com o meu", "as pessoas vão pensar mal de mim se eu agir dessa forma".

E assim, dia após dia, os sorrisos se tornam mais raros, os dias mais parecidos, as noites mais longas e os sonhos mais distantes. Feliz de quem se atreve. Feliz de quem, mesmo não sendo poeta, aprendeu a amar.


version 1/s/sociedade// @destaque, @obvious //Bruno Inácio