Quando rasgamos fotos

A riqueza de sentimentos e significados que compõem as nossas fotografias


fotografia.jpg

Então se têm as fotos. Não falo daquelas de paisagens ou com viés artístico. Falo das fotos comuns, pessoais, extrovertidas. Aquelas que ficam depois que alguém vai embora. Aquelas que são rasgadas ou deletadas para que não cumpram a sua função primordial: eternizar um momento.

Com a facilidade de acesso a câmeras digitais (especialmente as de celulares), ficou muito mais fácil registrar os encontros de amigos, aquela viagem ou um beijo. E então, como mágica, aquele momento fica gravado, com precisão e uma enxurrada de sentimentos.

Uma foto, por mais banalizado que isso esteja, tem muita força. Significa que uma pessoa gostaria de ser eternizada visualmente ao lado da outra. Para que daqui um tempo - talvez um ano, talvez cinquenta - possa olhar para aquela imagem e pensar “que fim ela levou?” ou, no melhor dos casos, “olha há quanto tempo estamos juntos”.

As fotos confortam, reaproximam e nos transportam para épocas já passadas, experiências já vividas, sonhos já realizados. Mas também funcionam como fantasmas.

Nos trazem de volta o que já havíamos superado (ou ao menos pensado que sim), finais infelizes e dores incuráveis. Lembra que algumas pessoas já partiram de nossas vidas, e que talvez não tenhamos agido como mereciam. Lembra que o tempo não volta, e que recomeços muitas vezes são impossíveis.

Funcionam, no entanto, como um doloroso processo de cura. Ensinam que as fotos que você tira hoje serão aquelas para as quais olhará daqui alguns anos. Então é melhor, para o seu próprio bem, acertar dessa vez. Porque quando fotos são rasgadas ou apagadas, parte de sua história se destrói, se desfaz, desaparece...


version 1/s/sociedade// //Bruno Inácio