Quem tem medo de Coraline?

Animação baseada em livro de Neil Gaiman tem enredo bastante inusitado e perturbador


coraline-e-o-mundo-secreto.jpg

Uma criança é atraída para um universo paralelo, onde todos têm botões costurados no lugar dos olhos. Uma mulher aparentemente boazinha vai, aos poucos, mostrando sua verdadeira face: um ser horrendo (por dentro e por fora), mau e obsessivo, disposto a obter a criança exclusivamente para ela a qualquer custo. Parece enredo de filme de terror ou uma narrativa de Stephen King, mas se trata de Coraline, uma das animações mais perturbadoras do cinema.

O longa-metragem é dirigido por Henry Selick, e baseado no livro homônimo de Neil Gaiman, um dos maiores nomes da ficção científica e dono de um dos cortes de cabelo mais engraçados, mesmo entre os escritores.

Recém-chegada à sua nova casa, a pequena Coraline Jones está entediada e ao mesmo tempo curiosa. Sem conseguir a atenção de seus pais, conhece o vizinho Wyborn, que logo a presenteia com algo bastante inusitado: uma boneca de pano que é idêntica a ela.

Desde que a boneca chega à sua casa, Coraline passa a ter acesso a um novo mundo durante as noites, através de uma pequena porta. O ambiente é igual à sua casa, porém muito mais divertido e acolhedor. Os seus pais e vizinhos também têm a mesma aparência, mas possuem personalidades muito mais atraentes.

Nas primeiras vezes que visita a nova realidade, a garota é mimada e tem à sua disposição tudo aquilo que gostaria de ter no seu cotidiano. Participa de diversas atividades e apresentações, feitas especialmente para ela. A garotinha se vê em um mundo que gira à sua volta, porém, logo percebe as reais intenções da sua “outra mãe”.

A mulher, até então boazinha, mostra ser bastante perversa. Construiu aquele mundo apenas para atrair Coraline, e então se apossar de sua alma, assim como já fez com outras crianças no passado.

A animação, muito mais pesada do que vários filmes do gênero de terror, não causa medo apenas pela temática não convencional ou pela trilha sonora envolvente.

O filme mexe com os nossos pesadelos infantis (que talvez não tenham realmente ido embora) e nossos medos mais intensos. Retoma a possibilidade de anjos serem demônios, e mostra que aquelas pessoas que temporariamente lhe fazem feliz, podem querer, na verdade, se apossar da sua alma.

coraline2.jpg


version 11/s/cinema// @obvious, @obvioushp //Bruno Inácio