Quando parei de me sabotar

Sobre a importância de entender que coisas imperfeitas valem a pena


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No dia em que percebi que sou digno da minha felicidade e que perfeição é um conceito ilusório (ou talvez muito sutil), deixei de me sabotar. Parei de exigir tanto dos outros e, principalmente, de mim mesmo. Deixei de enxergar exclusivamente os defeitos e passei a me atentar às qualidades.

Assim, em pouco tempo, pude entender que todas as pessoas têm limitações, exageros e excentricidades. Observei que cada um tem seus próprios conflitos interiores, e que ninguém é perfeito. E nem deve ser! Claro que a ideia é ser cada vez melhor, mas buscar a perfeição é ser muito pretensioso.

Aprendi a perdoar e a ser perdoado. Entendi que um coração cheio de mágoas só traz prejuízos, e assim fiquei mais leve, mais livre. Pude compreender melhor as ocasiões em que erraram comigo, e também as em que errei com outras pessoas.

Dessa forma, aos poucos fui me libertando, me desconstruindo. Até que compreendi que tudo estava fadado ao fracasso se eu não parasse de me sabotar, mesmo que inconscientemente.

Deixei de procurar pequenos problemas, insatisfações irrelevantes e barreiras insignificantes. Entendi que pequenos defeitos não ofuscam qualidades gigantescas e que a divergência sobre o poeta favorito não significa praticamente nada diante de tantos gostos comuns em relação à arte.

Parei de ser eu pelas metades, e me tornei eu por inteiro. Deixei de ver os defeitos como oposições às qualidades, e passei a enxergá-los como complementes. E então pude ser feliz.


version 1/s/recortes// //Bruno Inácio