Paul McCartney e as mil formas de se reinventar

Músico inglês conseguiu se manter atual desde a saída dos Beatles até o presente


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Assim como David Bowie, conhecido como o camaleão do rock devido às suas frequentes transformações (internas e externas), Paul McCartney é um grande inovador de si mesmo. Desde a época dos Beatles, o músico inglês foge do lugar-comum e evita, a todo custo, se limitar a um tipo exclusivo de música.

No período em que estava nos Beatles, quase sempre ao lado de Lennon, compôs um número grandioso de hits, indo de baladas (como Yesterday e Blackbird) a canções que direcionaram o rock pesado (Helter Skelter). Quando o fim da banda foi oficialmente anunciado, em 1969, muito se especulou sobre o futuro dos quatro garotos de Liverpool. O fato é que todos eles, cada qual à sua maneira, teve sucesso em suas carreiras pós-beatles.

Ringo Starr - assim como ocorreu nos Beatles - foi o que menos se destacou. No entanto, a sua carreira solo não merece ser menosprezada, pois possui os seus momentos.

George Harrison, que já vinha se destacando como compositor nos últimos anos dos Beatles, fez uma carreira solo genial. Fez importantes parcerias com músicos como Bob Dylan, com quem participou da superbanda Traveling Wilburys, e teve discos de grande qualidade, bastante influenciados pelo folk rock.

Lennon, ao lado de Yoko Ono, fez diversas canções-protesto e fez boas regravações de clássicos, como Stand by Me.

Já Paul McCartney explorou o seu talento como multi-instrumentista e compositor, e lançou um primeiro álbum memorável, trazendo já de cara aquela que é uma de suas melhores canções: Maybe I'm Amazed.

Depois, ao lado da esposa Linda McCartney e de Denny Laine e Denny Seiwell, fundou o Wings, responsável por lançar uma sequência de álbuns invejável para qualquer banda: Wild Life (1971), Red Rose Speedway (1973) e, sobretudo, Band on the Run (1973). Esse último já mostrou canções bem diferentes e, ainda assim, de qualidade incontestável. É o caso de Let Me Roll It, Jet e Band on the Run, que reúne, em uma mesma canção, três momentos bastante diferentes, parecendo ser três músicas interligadas.

De lá para cá, Paul passou a ser ainda mais respeitado como músico, tornando-se, desde então, o beatle mais bem-sucedido após o fim da banda. Mesmo que nenhum álbum tenha sido tão bom quanto o Band on the Run, o Wings ainda lançou outros discos muito bons antes de a banda se dissolver.

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De volta à carreira solo, o músico flertou com o pop, algo que só havia feito timidamente antes, no álbum McCartney II, de 1980. Dois anos depois, Paul lançou Tug of War, um ótimo álbum, ainda com uma musicalidade bem próxima do pop. Nele estão dois duetos com Stevie Wonder (What's That You're Doing? e a famosa Ebony and Ivory), um dueto com Carl Perkins (Get it), uma homenagem a John Lennon (a bela Here Today) e uma canção com participação de Ringo Starr (Take it Away).

Após isso, Paul McCartney permaneceu em constante movimento. Fez álbuns de grande qualidade e sempre procurou se inovar. Teve muitas músicas marcantes, dos mais variados gêneros. Fez duetos com Michael Jackson (Say Say Say é o melhor exemplo) e recebeu inúmeros convidados pra lá de especiais em algumas músicas, como o guitarrista David Gilmour, do Pink Floyd, em We Got Married e No More Lonely Nights.

Mais recentemente, já nos anos 2000, mostrou que sua criatividade realmente não possui limites. Gravou, entre outros, Kisses on the Bottom (2012), álbum influenciado pelo jazz (isso mesmo! Jazz) e New, disco bastante alegre e que foi considerado um dos melhores da carreira solo do ex-beatle.

Além de toda a criatividade, Sir. Paul se destaca pela energia que possui. Ao longo dos seus 73 anos ainda faz shows com cerca de três horas de duração. E quem já foi sabe que é impossível não se emocionar.

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version 5/s/musica// @obvious, @obvioushp //Bruno Inácio