Chegadas e partidas

Um breve ensaio sobre lacunas, movimentos, vindas e idas


UP.jpg

O tema não é nada original. É mais frequente que a exibição de O Grinch na TV quando o Natal se aproxima. Mas há uma razão para isso. Todo mundo já escreveu ou leu sobre chegadas e partidas, e não só porque é um assunto com elevada carga poética, mas, sobretudo, porque todos carregam chegadas e partidas em seus dias, em seus corações...

Tanto as chegadas quanto as partidas podem ser de diversos tipos diferentes. Há quem chega e traz o que lhe faltava; há quem chega e vai ganhando espaço pouco a pouco, até que se torna parte de você; há quem chega no momento certo e há quem chega no momento errado, mesmo sendo a pessoa certa. E aí, na maior parte das vezes, se faz necessária uma partida.

Do outro lado, há quem parte com vontade de ficar; quem parte porque precisa fazer escolhas; quem parte porque é o melhor a se fazer, mesmo que muitas vezes seja doloroso, e há quem parte, mas nunca vai de verdade. Aquele tipo de pessoa que sai da sua vida, mas continua em seus dias através das lembranças, das influências, dos gostos partilhados e, principalmente, pela história construída ao seu lado.

O tempo passará, a vida terá outras chegadas, mas algumas pessoas que se foram permanecerão ali. E não há problema nisso... A ideia de que as pessoas precisam ser substituídas não é uma regra, embora muitas vezes seja tratada como tal.

Existem mil formas de se tornar especial para alguém, e cada um chega a essa condição da sua maneira. Por isso cada alma, com suas qualidades e defeitos, deve ser apreciada, pois um dia ela pode ir embora, e não se encontrará outra como ela em lugar algum.

A boa notícia é que assim como almas bonitas vão embora, outras chegam. Não se trata de substituição, mas é que a vida é feita de movimentos. São poucas aquelas pessoas que se instalam ali, num cantinho só nosso, e permanecem para sempre. Talvez a vida adulta tenha muito mais “adeus” do que “olás”, mas ainda assim é uma jornada repleta de significado, aprendizado, poesia...

O que nos cabe é entender e aceitar as partidas de alma aberta, mesmo que doam e que às vezes pareçam incompreensíveis, pois o novo só chega para quem está aberto a recebê-lo.


version 2/s/recortes// @obvious //Bruno Inácio