Afinal, que tipo de homem escreve uma história de amor?

Livro da escritora Luciana Pessanha levanta importantes questões sobre os sentimentos que vivenciamos


Write machine_love.jpg

O provocativo título do livro de Luciana Pessanha - Que tipo de homem escreve uma história de amor? - leva à repetição mental desta pergunta antes de a leitura ser iniciada, e o questionamento continua durante cada uma das páginas e até mesmo depois que o livro chega ao fim.

A história gira em torno de Daniel, jornalista que é demitido após surtar ao vivo, em um programa esportivo de TV. Sem trabalho, ele se muda para o apartamento de Ana, sua amiga e amor platônico, que simplesmente decidiu viajar ao redor do mundo sem deixar pistas.

No local, Daniel tenta a todo custo realizar o sonho de escrever um livro, porém sofre com um terrível bloqueio, que o impede de escrever uma linha sequer. Após experimentar diversos métodos de desbloqueio e falhar em cada um deles, Daniel encontra alguns diários de Ana, e acredita que ali está o material necessário para construir personagens e um enredo.

Ao mesmo tempo em que se dedica ao livro, Daniel se vê envolvido com Verônica, uma chef de cozinha bastante temperamental, com quem ele não vê futuro algum. Vez ou outra Ana entra em contato com ele pelo telefone, sempre enigmática e sutil, mas ainda capaz de acelerar os batimentos cardíacos de Daniel.

Com linguagem leve, contemporânea e muitas vezes poética, a autora construiu uma narrativa envolvente, divertida, sensível e repleta de referências a elementos da cultura pop.

Além dos aspectos literários, Luciana Pessanha traz uma grande contribuição com o convite à reflexão sobre a questão que dá nome ao livro. Afinal, que tipo de homem escreve uma história de amor? Por que querer imortalizar uma trajetória amorosa, independente de ser em um livro ou um guardanapo?

Para alguns, o potencial de escrever uma história de amor existe em quase todos os apaixonados. Há, inclusive, quem diga que quando apaixonados, todos nós viramos poetas.

As motivações para escrever uma história de amor podem ser diversas: existe quem quer expressar o que sente através da arte; existe quem quer imortalizar um momento ou um acontecimento em especial, e há quem quer mostrar ao mundo que o amor existe, e que ele pode ser maravilhoso.

O título do livro se trata de uma pergunta retórica. Não há como generalizar alguns grupos de pessoas para dizer que são eles os que escrevem histórias de amor. Também não há como ser tão abrangente a ponto de dizer que todos fazem isso.

Porém, a sensibilidade nas linhas de Luciana Pessanha nos leva a crer que o amor é muito maior do que imaginamos. Todos os dias histórias de amor estão sendo construídas.

Elas podem não ser escritas sempre, afinal, não são todos os tipos de homens que escrevem histórias de amor, mas elas estão marcando vidas, construindo sorrisos e trazendo brilho a olhares.

Todos os dias “ois” ditos iniciam o primeiro parágrafo de novas histórias. O final dessas tramas poderá ser feliz ou triste, mas se houver amor, independente de como a história terminar, ela terá valido a pena.

Livro.jpg


version 4/s/literatura// @obvious, @obvioushp //Bruno Inácio