A última carta de amor

Um breve ensaio sobre tudo que aprendemos e desaprendemos


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Não, eu não quero competir. Não é e nunca foi a minha intenção fazer isso. Não quero descobrir quem voa mais alto ou quem vai mais longe. Também não me importa quem cometeu mais erros ou loucuras.

Sei que não sou digno do título de herói, mas também sei que o de vilão não me cabe. Não sou a vítima, no entanto, sei que também não sou o carrasco.

Não escrevo por querer o seu sorriso, mas sim por não querer o seu olhar raivoso. Nunca gostei das ideologias “tudo ou nada” e “oito ou oitenta”. Há tanta coisa entre o vazio e cheio, tantos números entre o oito e oitenta...

Mas nossos olhos parecem fechados ao que não está evidente. Desaprendemos como observar os detalhes e, pior ainda, desaprendemos a real importância dos detalhes.

Eu mudei e você mudou. A vida é movimento e nada mais. Mas isso não significa que uma coisa anula a outra. Aliás, elas são complementares. É tudo parte de uma mesma história.

Acredito em universos paralelos, realidades alternativas... E sempre que pensamos no passado, ele volta a existir.

A questão é que, com o passar do tempo, focamos nas maneiras de tocar o corpo, mas esquecemos que a lista de jeitos de tocar a alma é muito maior e, claro, muito mais importante.

E hoje, após tudo isso, o nosso sistema de autodefesa enlouqueceu. Ficou paranoico, perdido, desorientado. Afasta-nos antes de sequer reconhecer perigo e às vezes aborta uma missão logo no primeiro empecilho. Tudo é válido, desde que a gente não se machuque.

Protegemo-nos além do necessário. Os óculos de sol estão nos olhos mesmo quando a luz é fraca; os protetores solares estão pela pele mesmo quando não há sol; o carro é utilizado para percorrer distâncias minúsculas... Tudo para evitar um contato real com o universo exterior. Fechamo-nos em nosso mundinho, e nele permanecemos, em meio a egoísmo e solidão.

Não, eu não quero competir. Não quero saber quem vai ter um final mais feliz ou quem vai encontrar um pote de ouro no final do arco-íris. Só quero a paz... Para ambos.


version 4/s/sociedade// @obvious //Bruno Inácio