Os amores que vão embora

Livro “Depois do fim”, de Daniel Bovolento, aborda os finais de relacionamentos com linguagem ágil e poética


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Não importa se você sempre teve ciência de que não seria algo duradouro ou se acreditava, de verdade, que seria eterno. Não importa se você partiu ou se viu alguém partir. O que importa é que você fica partido. É inevitável. E dói muito.

Dói para se acostumar a uma nova rotina, dói ao sentir aquele cheiro ou assistir aquele filme. Dói nas noites frias, quando não há ninguém do outro lado da cama para aquecer o seu corpo. Dói no calor, quando não tem com quem você brigar porque quer o ventilador ligado enquanto ela o quer desligado.

Saber como agir depois do fim não é tarefa fácil. Em um extremo, a entrega desesperada em busca de atenção e a tentativa de preencher um espaço que não poderá ser facilmente preenchido. Em outro extremo, a frieza de quem simplesmente deixou de acreditar. E no meio das duas extremidades, muita bagunça: noites mal dormidas, amigos tentando te empurrar para inúmeras pessoas, cigarros, bebidas e um vazio.

O impacto do término de uma relação é algo vivenciado ao menos uma vez por quase todo mundo. O escritor Daniel Bovolento (autor de Por onde andam as pessoas interessantes? e criador do blog Entre Todas As Coisas) sabe disso.

Experimentou os desamores como cada um de nós, mas decidiu escrever sobre eles como poucos teriam coragem. Assim surgiu o livro “Depois do fim”, composto por 50 crônicas que retratam aquele momento complicado em que a gente tenta colocar o coração em ordem.

Com linguagem poética, o autor se coloca em muitos papéis ao longo das mais de 200 páginas. Em um momento, ele é quem parte e em outro quem fica. Em um momento, ele é quem se abre à possibilidade de um novo amor; em outro ele está mais fechado do que nunca. Em um momento, ele é quem não quer ser esquecido e em outro, quem não quer ser lembrado.

Bovolento evita a visão unilateral do amor. Evita tratar rompimentos como fracassos e não dá aos envolvidos os limitadores papéis de vilões ou heróis. Ele entende que amor vai além disso. É muito mais complicado, poético e caótico do que se imagina.

Com “Depois do fim”, o autor nos mostra que é possível, sim, sobreviver a um rompimento, mas que ele deixa muitas marcas, o que não é necessariamente ruim.

Amor é uma troca de vivências, experiências e afetos. É um se tatuando na alma do outro diariamente. É um oceano de detalhes que nos levam a ser quem somos hoje, independente de qual tenha sido o desfecho de sua história. “Depois do fim” é um livro para mostrar que as jornadas são mais importantes que os finais.

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version 1/s/literatura// @obvious, @obvioushp //Bruno Inácio