“O Último Resgate” e “A Conquista da Sibéria”: duas formas diferentes de falar sobre a guerra

Ambos os filmes foram lançados recentemente no Brasil, em diversas plataformas digitais


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Com exceção do fato de terem guerras reais como temática central, as produções “O Último Resgate” (Reino Unido) e “A Conquista da Sibéria” (Rússia) – ambos lançados recentemente no Brasil pela A2 Filmes – têm pouco em comum.

O primeiro filme se passa em 1944, durante a Segunda Guerra Mundial, e conta a história de resistentes que se unem para libertar um oficial do alto escalação de um campo de prisioneiros alemão. Já o segundo se situa na Rússia czarista do século XVII e narra a jornada de um jovem oficial enviado às profundezas da Sibéria, para defender a fronteira com Tobolsk de possíveis invasores.

Além das narrativas se passarem em locais e tempos diferentes, os filmes caminham por direções opostas ao abordar um dos grandes temas do cinema: a guerra. “O Último Resgate” inclui personagens racionais e estratégicos planejando cada passo a ser dado, enquanto “A Conquista da Sibéria” traz heróis e vilões bastante explosivos e caricatos.

As abordagens sobre as guerras também são bem distintas, evidenciando a ampla variedade de camadas a serem exploradas pelas narrativas cinematográficas. “O Último Resgate” se aproxima de um jogo de gato e rato, repleto de espionagem e decisões frias, ao passo que “A Conquista da Sibéria” traz o confronto de fato, com muitas mortes, sangue e violência. Do ponto de vista técnico, “O Último Resgate” traz um roteiro mais atrativo, personagens melhor construídos e um bom uso do plano detalhe e do plano americano.

“A Conquista da Sibéria”, embora apresente melhores efeitos visuais e um excelente figurino, peca na construção dos personagens, tão rasos quanto os de um filme de ação. Há muitas reviravoltas na narrativa, o que não é, necessariamente, um ponto positivo, já que algumas delas até funcionam, mas a maioria não convence.

Em relação ao terceiro ato, ambas as produções decepcionam. O de “O Último Resgate” por concluir apressadamente a narrativa e o de “A Conquista da Sibéria” por ser pouco inspirado, repleto de clichês e inverossímil.

Ambos os filmes estão disponíveis nas seguintes plataformas digitais: Now, Looke, Vivo Play, Microsoft e iTunes.

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