O fim precoce da infância em “Quando Hitler roubou o coelho cor-de-rosa”

Filme dirigido por Caroline King é baseado em romance infantil semiautobiográfico de Judith Kerr


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O ano é 1933. Hitler, já bastante poderoso, inicia sua perseguição a judeus tendo como primeiro alvo os intelectuais que se opõem à extrema-direita alemã. É nesse contexto que se passa “Quando Hitler roubou o coelho cor-de-rosa”, drama dirigido por Caroline King, vencedora do Oscar por “Lugar nenhum da África”.

A narrativa, adaptada do romance infantil semiautobiográfico de Judith Kerr, conta a história de Anna (Riva Krymalowski), uma garotinha de 9 anos que vê sua vida mudar radicalmente de uma hora para outra. Judia e filha de socialistas, ela precisa se mudar da Alemanha junto à sua família após o pai – um escritor e crítico de teatro interpretado por Oliver Masucci – receber a informação de que Hitler o procura por conta de suas posições políticas.

Assim, Anna – atendendo a uma exigência da mãe (interpretada por Carla Juri) – encara a primeira de muitas decisões difíceis que farão parte de sua vida a partir daquele momento: precisa escolher apenas um entre todos os seus brinquedos para levar com ela. Fica em dúvida entre um cachorro e um coelho cor-de-rosa, mas acaba levando o cachorro – e se arrependendo disso constantemente (daí o nome do filme).

Em meio a incertezas, Anna enfrenta diversos recomeços ao mudar frequentemente de país. Passa a ter que lidar com novos idiomas, dificuldade em fazer amigos, falta de dinheiro (até mesmo para roupas e comida) e, claro, o medo sempre presente de que oficiais de Hitler encontrem e matem seu pai.

Apesar de receber muito amor dos pais e do irmão Max (Marinus Hohmann), Anna precisa lidar, sobretudo, com o fim precoce da infância – simbolizada pela perda do coelho cor-de-rosa.

Assim, o filme traz diálogos sensíveis para contar a história não apenas de uma, mas de milhões de crianças perseguidas por uma das mentes mais cruéis de todos os tempos.

Além de um bom enredo, o filme se destaca pelos atores e atrizes que dão vida aos membros da família, em especial Riva Krymalowski; pela direção de fotografia e pelo figurino e ambientação. Também chama a atenção o papel dos elementos subjetivos da narrativa, como o próprio coelho cor-de-rosa, o relógio do personagem Julius (Justus von Dohnanyi) e o lenço da personagem Heimpi (Ursula Werner).

O filme, distribuído pela A2 Filmes, está disponível nas principais plataformas digitais, como Now, Looke, Vivo Play, Google Play, Microsoft e iTunes.

Bruno Inácio assistiu “Quando Hitler roubou o coelho cor-de-rosa” a convite da distribuidora A2 Filmes, antes de o filme ser lançado no Brasil


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