zênite

O observador imaginário...

O buraco no muro.

em Educação por em 19 de ago de 2012 às 15:06

Uma experiência na índia sobre a exclusão no acesso à informação nos traz a reflexão para o meio do caminho. Produzir conhecimento e não propiciar, gerar o acesso a eles é criar uma elite do conhecimento perversa a toda a sociedade; reproduzir a elite econômica para o "altar" do conhecimento humano pode ser a derrocada completa do capital! Mas ainda há tempo de se redimir...



   
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     A fronteira tecnológica é uma linha tênue entre a capacidade de expandir conhecimentos e paradoxalmente segregá-los... Em qualquer sociedade que exista o conceito de “elite de conhecimento”, produz-se de fato o potencializador de seu próprio declínio e decadência! O conhecimento humano, como fator de inclusão e aproximação social é inexoravelmente a única saída digna planetária para a resolução de uma ampla, senão absoluta, gama de mazelas que o homem contemporâneo se habilita! Enfrentá-los é uma decisão corajosa e requer visão de longo prazo e disposição de assumir riscos além do que a prática cotidiana nos encoraja. É uma tarefa para poucos, mas que precisa se enraizar!

      O documentário nos mostra que, mesmo diante de todos os contrastes sociais deste país sui generis, onde uma ampla carga de vanguarda científica se defronta diante de um gigantesco cinturão de miséria e fome de escala planetária; é preciso criar idéias hábeis e dissolver o abismo tecnológico mesmo diante das barreiras mais intransponíveis! E, brilhantemente colocado, a semelhança de contextualização da iniciativa com os desenvolvimentos naturais da manifestação humana; as crianças mimeticamente, através dos mesmo motivos que levaram os nossos antepassados a conservar a “arte do fogo”, se repetem e se observam em um contínuo e inenarrável ato de erros e acertos até o domínio de um novo horizonte que se abre, onde “se pode fazer de tudo como uma delas mesmo define no vídeo acima”*

      Talvez, o grande desafio do homem de hoje, não seja avançar tecnologias e criar métodos heurísticos sofisticados para a percepção do mundo, mas o de simplesmente elevar o ser ao seu mais natural estado de existência, onde as fronteiras que avançarem sejam esquinas visíveis e tateáveis para cada um de nós e não uma invisível e estranha capa divisória de incluídos e excluídos não somente do saber, mas do direito de se redescobrir!

*sobre a Internet
 
* créditos da fotografia por Ricardo Braz

 

       Evidentemente que esta experiência é uma exceção a regra, em verdade não deveriam existir muros entre a tecnologia e o conhecimento e o providencial  acesso das pessoas, sejam elas jovens, velhos e crianças. No séc XXI, a exclusão social também pode ser chamada de exclusão digital, o analfabetismo da língua deixa lugar para o "analfabetismo digital"; quem quiser conhecer o mundo e ter as melhores oportunidades, possuir cidadania e ter meios para o crescimento pessoal, não pode estar a margem dela! Este é o grande desafio encontrado no mundo inteiro, não somente na Índia, mas aqui no Brasil e em toda a parte onde os bolsões de miséria alcancem a vida humana... A experiência acima nos provoca e nos propõem um mergulho profundo ao desafio!


      O direito do acesso a informação e as tecnologias disponíveis, não é somente uma das mazelas de nosso século, há de se ter vontade para instruir e prover o mundo inteiro à educação, o único instrumento pela qual se propicia a igualdade entre as classes sociais, o acesso ao saber! Se o capitalismo não tem sucessores, não há nada que possa ser colocado em seu lugar, ao menos ele pode se redimir com um processo de educação de qualidade acessível para todos; um grande desafio que certamente não vai constar apenas em um "buraco no muro", mas em nenhuma barreira disponível a frente! Esta é a utopia precisamos acreditar e transformar!

      É preciso ter coragem e avançar no processo e na reflexão!

 

Artigo da autoria de Márcio Costa.
Jogo xadrez desde que nasci, não sou um mestre, mas com paciência vou ganhando os espaços até um objetivo. Se ganho pouco aprendo, se perco terão nestas minha dedicação maior para corrigir os erros pelos caminhos. Empatar? Não penso, não há graça no meio termo. Cada jogo tem a sua história, início, meio e fim. Estou a falar da vida ou do xadrez, das pessoas ou das estatuetas de Caissa? .
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