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O observador imaginário...

Seremos híbridos e então, máquinas!

em Tecnologia por em 11 de ago de 2012 às 20:53

Quais são os parâmetros para evolução tecnológica? Estes, não deveriam nos propiciar algum diferencial na qualidade de nossas vidas? Em tese, a tecnologia nos tornariam mais aptos a sobreviver. Mas como diferenciar os processos naturais e artificiais desta evolução e assim compreende-los de fato? Não estaríamos precisando de mais tempo para uma reflexão? Mecanismos do tipo "stop and go" são necessários para a reprodução dos questionamentos diante da velocidade dos acontecimentos. Hoje estamos apenas caminhando no vácuo, perdendo o nosso foco; lentamente deixando de ser, nós mesmos...

blade.png       Blade Runner: Correr(dor) da lâmina em uma tradução destextualizada do inglês para o português,  em Portugal ganha o subtítulo de Perigo Iminente e no Brasil, o Caçador de Androides. Mas não é do filme que este artigo vai falar, já um clássico cult e dos melhores do gênero da história do cinema! Uma temática densa e complexa e para mim,  levemente entediante em suas cenas, embora essencialmente bem feito, detalhes sutis à época, 1982!

       Blade Runner sucinta para nós um exercício de futurologia, uma proposta e uma predileção, já no campo pessoal, de uma frase de minha autoria  que já há algum tempo ronda a minha mente desde que li por completo o livro O Universo em uma casca de noz do brilhante cientista britânico, Stephen Hawking:  seremos híbridos, depois máquinas e então desapareceremos na forma como hoje, nos conhecemos!

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      É interessante notar, dimensionar o poder que a tecnologia tem de transformar nossas vidas sem que estejamos fazendo uma crítica mais minuciosa sobre todas estas inovações que nos chegam "ladeira abaixo", onde não encontramos tempo para nenhuma reflexão e questionamento sequer!

    Tecnologia não é propriamente um sinal evolutivo, pode até parecer que seja, mas também torna-se-a algo que nos empurra para uma vulnerabilidade ainda maior! Ela, de certa forma, aumenta a nossa "onipresença" e o grau de nossa onisciência, mas será que estamos preparados para tudo isso?

    Cada vez mais somos dependentes da energia elétrica por exemplo, e por mais contraditório que tudo isto possa ser, a sua falta simplesmente, mesmo que por instantes, pode nos produzir grandes transtornos! Sua ausência além do tempo previsto e assegurados por sistemas backup como geradores, e cidades inteiras simplesmente não funcionariam e consequências enormes se seguiriam, até mesmo em nossas relações éticas e morais! Como se a nossa civilização se tornasse completamente primitiva pela simples ausência da eletricidade!  Alguém duvida do quanto seria um aventura "selvagem" procurar alimentos pelas ruas de uma cidade com total falta de energia elétrica por alguns dias somente? Se fossem semanas então, um verdadeiro caos social se instalaria literalmente! Todo o espectro tecnológico que nos cercam, dependem quase que irrestritamente desta energia, nunca nos tornamos tão vulneráveis como em nossos dias! Celulares, aviões decolando e pousando, semáforos de transito, computadores, internet, mercados e shoppings, hospitais, elevadores, metrôs, trens, televisão, cirurgias, redes de condicionamentos de alimentos perecíveis, serviços bancários, bolsa de valores, abastecimento de combustíveis... CAOS! caos, caos...

    
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    Interessante nisso tudo é o modelo que é centralizador, onde tudo existe através de esquemas hierárquicos e é neste ponto que nos tornamos ainda mais vulneráveis em todos estes conceitos tecnológicos! O que antes fazíamos em pequenos grupos organizados hoje nos transformamos em uma aldeia global interligada onde o elo mais fraco torna-se a frágil segurança de todo o sistema; da corrente inteira que interliga as tecnologias disponíveis. Mas este é um dado que só demonstra o pouco que se há de fazer. A tendência à organização e estabelecimentos de redes de comunicações globais entre nós humanos, é uma evolução inexorável de todo o nosso processo como espécie neste planeta; é como se estivéssemos imersos em uma força gravitacional que nos organiza, nos decodifica e nos promove como reagentes ao meio em que estamos inseridos e viventes... Cada vez mais necessitamos de informação e ao mesmo tempo de conexão entre elas e as nossas ações! As vulnerabilidades aparecem,  sejam no formato da dependência da energia elétrica como também na sua distribuição e produção em um modelo centralizado, só para citar um dos inúmeros exemplos; um erro dentro do outro! Uma falha em um ponto e um efeito dominó se sucede! Outro dado alarmante de nosso tempo produzido pelos benefícios da tecnologia, como um efeito colateral, é a poluição pelas micro-ondas e também das ondas de rádio de espectro mais longos! As grandes e médias cidades aumentam intensamente a presença destas transmissões em seu meio, há um sinal para tudo e em toda a parte e nem um estudo sequer, mais sério e profundo, nos é apresentado sobre as consequências destas emanações para a saúde! É alarmante o fato de só temos a visão e a percepção de um dos lados deste progresso tecnológico, sem questionamos as suas consequências a médio e longo prazo. De certo modo, estamos ainda agindo instintivamente em nossa evolução sobre a Terra por meio de erros e acertos e apesar de toda a nossa pseudo-inteligência, ainda não somos capazes de simular ambientes, prospectar consequências, estudar profundamente aquilo que ainda não colocamos em prática; preferimos apenas antecipar as tecnologias e nos lançar como cobaias de nossa própria torpeza científica!

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    Charles Darwin, em sua teoria, nos trouxe até aqui; no olho do furacão do processo evolutivo e ainda vamos continuar, tudo nos leva a crer! A evolução da espécie humana vai continuar e... se transformar! Muitos cientistas são céticos em afirmar que estamos de fato evoluindo, há quem diga o contrário! Nossos cérebros foram reduzidos em tamanho equivalente a uma bola de tênis nos últimos 30 mil anos, em relação aos nossos antepassados! Mas este dado não prova o nosso "emburrecimento" mas sim, uma divisão maior de tarefas em sociedade! Estamos reparticionando conhecimentos e funções/tarefas e aumentando a velocidade de disseminação da informação, esta mesma que já começa a nos devorar! Alguém duvida?

    A IA - Inteligencia Artificial está a caminho, se é que já não chegou! Computadores estão se aproximando de algo que parecia ser impossível: o domínio completo da árvore de jogadas do xadrez, um jogo que possuí 10 seguidos de 120 zeros possibilidades de jogadas em um tabuleiro, segundo suas regras! Um número maior do que todos os átomos do universo conhecido! Artificialismo evolutivo? Os processos naturais aqui, parecem dobrar a fronteira que separam a evolução genética da evolução cultural humana (meme), ainda que as duas estejam interligadas, o que parece ser uma influência artificial é tão somente uma maior complexidade dos processos naturais; pois o próprio homem é fruto, ainda, de uma manipulação natural...Mas em breve seremos híbridos!

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     Cada vez mais teremos em nossos próprios corpos, artefatos (artificiais) que nos auxiliarão em nossas tarefas do dia a dia, sejam eles para suprirem uma deficiência funcional ou orgânica, ou para aumentar a própria capacidade de nosso organismo. No campo militar já se estudam o emprego de tecnologias para o aumento da capacidade de combate de soldados, tanto de proteção quanto performance de deslocamentos com  vestimentas do tipo endo-esqueletos. Os soldados híbridos! Vestidos com estes artefatos, poderão transportar cargas muito maiores do que antes suportariam e com maior desenvoltura às intempéries climáticas; terão proteção maior contra ameaças às suas vidas e força superior para tudo que for necessário realizar! E estamos falando apenas da repercussão  no campo militar, mas nos atingirão em todos os aspectos de nossas vidas!  Dá para imaginar o que virá depois não dá?

 
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      Chegarão as máquinas dotadas de inteligência que então competirão conosco pelos mesmos espaços, um efeito nefasto que fugirá ao nosso controle mais cedo ou mais tarde... E finalmente desapareceremos na forma como hoje nos conhecemos...
      Mas não identifiquem aqui um tom apocalíptico, todos estes acontecimentos estão de certo "previstos" desde a grande expansão do Cosmos iniciada após o cataclismático Big-Bang; é preciso ir longe no pensamento para entendermos porque seguimos este antropismo evolutivo e porque nossas ações podem ser previstas e identificadas no tempo... A grande mudança de paradigma que pode quebrar a sequência destes acontecimentos será a guerra fantástica que será travada entre nossos genes e nossos memes! Pela primeira vez na história da biologia, uma espécie animal sobre a Terra, a humana, está desafiando as leis genéticas! É extremamente profunda esta discussão e será tema de um post futuro por aqui, porque é vasto!

     A IA vai "simular" a vida e em um dado instante produzirá consciência, irá questionar a si mesma; proporá novas ações, novos rumos que nunca antes ousaram fazer, consequências  não programadas que escaparão de nosso controle... Por instantes, Homens-Híbridos e Máquinas Inteligentes competirão pelas leis de Darwin e também estarão tentando se prevalecer dentro da teoria de Richard Dawkins sobre o meme e a propagação de uma ideia dentro da mente ou de um programa de computador. Mas o nosso futuro não será sombrio, apenas diferente de tudo aquilo que antes imaginamos! Não podemos esquecer que de certa forma este futuro já chegou: nós já pisamos em solo lunar (há quem diga que não), "eles", as máquinas já chegaram a Marte e até além do sistema solar, nas Voyagers e Pioneers (ainda que, em sistemas e artefatos não tão complexos).  Tudo fruto de nossas próprias ações; a tecnologia, a informação possuí uma propagação e evolução exponencial, está entropicamente alinhada ao mesmo sentido de expansão do espaço-tempo de todo o universo conhecido. Não é um segredo, mas causa e efeito completamente previsível como fora dito aqui! 

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    Seguindo o exemplo dos endo-esqueletos, o passo seguinte serão as próprias máquinas cyborg que estarão nas frentes das batalhas assim como estarão em nossas vidas cotidianas! E é bom que se diga, elas não necessariamente terão que possuir a forma da anatomia humana, este é apenas um conceito que nos satisfaz, mas um automóvel que possa se deslocar sozinho, sem um condutor humano em seu interior ou remotamente controlado, será ou é um exemplo de uma dessas máquinas inteligentes. E se de alguma forma eles conseguirem se "construírem" e se constituírem sozinhos, sem a nossa interferência? Então eles nos dominarão completamente! Estas Máquinas são produtos de um refinamento de capacidades maiores do que as nossas; razão pela qual nós as projetamos e as criamos; para nos superarem!
     Há cientistas que combatem esta ideia um tanto catastrófica sobre a "rebelião das máquinas", eles argumentam que de alguma maneira haveremos de criar mecanismos para que uma segurança conceitual seja embutida e que torne impossível um organismo cibernético em um futuro próximo rebelar-se ou então o cenário de Blade Runner estará profeticamente estabelecido entre nós!

    Se, de alguma forma, existir vida inteligente  fora de nosso débil planeta, esta pode ser constituída da forma mais inusitada como nunca pensamos antes: máquinas artificiais produzidas pela inteligência local e "rebeladas" em algum momento de suas existências, ou não; apenas cumprindo sua jornada exploratória programada... Nossos robôs em solo marciano são sistemas ainda bem seguros, completamente imersos em uma missão 100% confiadas a nós mesmos... O organismo biológico de que somos originários, está intrinsecamente em simbiose ao eco-sistema particular planetário pela qual se originou e evoluiu (em nosso caso o planeta Terra); em questões como pressão atmosférica, composição do ar, existência ou não de abundância de água, etc...Este é um grande e limitante fator para a sua (nossa) natural expansão para além desses eco-sistemas planetários (Terra), mas não será o problema que máquinas inteligentes  haverão de encontrar. Estas poderão existir fora dessas condições limitantes, até mesmo no vácuo universal, desde que uma fonte de energia as abasteça... Há no mínimo, nesta conclusão/afirmação final, um caráter etimológico que nos inclinará diante da máquina e suas possibilidades quase infinitas existenciais! Em qualquer parte, em qualquer tempo, sob quais quer condições, ou quase;  pois suas adaptações não necessariamente estarão restritas as condições pelas quais organismos biologicamente adaptados aos seus meios se prevaleceram. Simplesmente as máquinas não 'respiram..."  Ou talvez a complexidade que as exigirá no futuro, venham necessitar de algum consumo atmosférico... Se isso acontecer, então elas irão vulnerabilizar-se, podemos vence-las! No filme, Harrison Ford venceu na pele de D. Deckard

   "Seremos híbridos e após, máquinas e então desapareceremos da forma pela qual hoje, nos conhecemos... " 

  Humam Sapiens Machine? Ou Machine Sapiens!?

               Animação NASA

 

Artigo da autoria de Márcio Costa.
Jogo xadrez desde que nasci, não sou um mestre, mas com paciência vou ganhando os espaços até um objetivo. Se ganho pouco aprendo, se perco terão nestas minha dedicação maior para corrigir os erros pelos caminhos. Empatar? Não penso, não há graça no meio termo. Cada jogo tem a sua história, início, meio e fim. Estou a falar da vida ou do xadrez, das pessoas ou das estatuetas de Caissa? .
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