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O observador imaginário...

Limites... A ponte.

em Cinema por em 15 de set de 2012 às 03:19
Um filme, um documentário; uma ponte... A insustentável tensão que aflige os limites entre a sanidade e a insanidade humana, seja ela de que lado estiver! Uma proposta para além do debate ético entre a lente e a morte. O cenário? Deslumbra, é perfeito; San Francisco belíssima e ao mesmo tempo embotada pelo destino que se desfaz.

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     Este documentário um tanto polêmico sobre a ponte Golden Gate em San Francisco, nos EUA, nos remetem às fronteiras de nossos limites existenciais, não somente pelos aspectos éticos mas  também no limiar de nossa própria sanidade. Um documentário frio e corajoso sobre um dos aspectos mais sombrios da existência humana: o suicídio! 

     Quatro segundos em queda livre (130m), 120 Km/h no momento do choque com o espelho d'água, são consequências quase sempre fatais (98% de risco de morte) e assim o foram para mais de 1200 pessoas que perderam suas vidas, segundo cálculos oficiais dos administradores da ponte, desde que ela foi erguida em 1937 (admite-se extra-oficialmente um número muito maior de vítimas desaparecidas, onde o mar nunca devolvera o corpo). Uma estatística mórbida diante de uma das paisagens mais belas da humanidade... A ponte Golden Gate, além da beleza é a meca dos suicidas!

     Suas águas com uma temperatura média de 5 graus durante o ano e com fortes correntezas para alto mar (30m de profundidade), deixam poucas chances aos 2% restantes na probabilidade estatística.

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   Uma mensagem de aviso e oferecimento de ajuda para quem tenciona perder a sua vida diante da Golden Gate, já demonstra para os transeuntes da ponte o grave e trágico problema que diante dela se defrontam. Com duas câmeras fixas e direcionadas, acrescidas de um roteiro um tanto assustador e o documentário sobre o suicídio na Golden Gate estava pronto(2005): The Bridge!  Com direção e produção de Eric Steel, ele mostra ao vivo e a cores 20 casos de suicídios(um deles sobrevivente a tentativa) sobre a lente impassível das câmeras colocadas em pontos chaves: a vida que se esvai diante da película que a eterniza paradoxalmente...

    E. Steel se defende diante de acusações em favor da ética; dos registros dos últimos momentos de vidas de homens e mulheres comuns diante de suas tempestades psíquicas que, anterior ao espetáculo mórbido registrado, mais poderiam ter a sua ação/intenção abortada por alguma ajuda-intervenção fora-do-script... Mas Steel foi além, superou o debate ético e foi buscar na raiz as causas do problema-ato que a sociedade não traduz. Entrevistou familiares, amigos e especialistas (médicos, etc...) onde tentou "dissecar" as razões, os motivos, às idiossincrasias por de trás da alma humana. 

   O documentário não chega a produzir/propor soluções ao problema, mas ele choca! Trás a luz e provoca o debate diante da grave questão, além de expor o fracasso quase absoluto pela qual a sociedade tenta dirimi-lo. Os limites mais distantes de nossas assimetrias existenciais e a nossa forma-receita de entender, compreender e se envolver aquém de tantos descompassos, uma fenda-limite onde nenhum dos lados conseguem se untar diante das pontes das cicatrizes...

   O filme-documentário, A Ponte (The Bridge) é depressivo sim, mas é um caminho diante de tantas inconsequências... Um primeiro passo para a compreensão da dor lasciva que vocifera silenciosa o âmago dos que nela sucumbem ao lado das festas dos intemeratos.


 

Artigo da autoria de Márcio Costa.
Jogo xadrez desde que nasci, não sou um mestre, mas com paciência vou ganhando os espaços até um objetivo. Se ganho pouco aprendo, se perco terão nestas minha dedicação maior para corrigir os erros pelos caminhos. Empatar? Não penso, não há graça no meio termo. Cada jogo tem a sua história, início, meio e fim. Estou a falar da vida ou do xadrez, das pessoas ou das estatuetas de Caissa? .
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