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O observador imaginário...

O olhar de Margaret Mee

em Pintura por em 22 de set de 2012 às 05:44
O que traduz um sentimento, um anseio sem palavras? Uma tela de Margaret Mee! A inglesa das orquídeas...

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    Margaret Ursula Mee poderia ser o nome da sensibilidade, da arte, das cores; do instinto materno protetor das flores, das florestas, da flora e fauna intocadas pelo homem... Esta artista e ilustradora botânica inglesa, nascida em 1909 em Cheshan na inglaterra tem em sua vida um fantástico legado ecológico de preservação, contemplação, admiração e defesa dos ecossistemas. Muito antes ainda do tema estar em voga, na pauta de nossos tempos, o seu trabalho (pintura de espécies raras e desconhecidas da flora amazônica) é uma referência não somente aos cientistas botânicos, mas para toda a classe artística pela técnica empregada em suas telas, as cores, o fundo de paisagem e os traços tão delicados e finos impressionam! 

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“Enquanto eu me postava ali, com a orla escura da floresta ao meu redor, sentia-me enfeitiçada. Então, a primeira pétala começou a se mexer, depois outra e mais outra, e a flor explodiu para a vida”

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    Depois de estudar Arte nas mais importantes escolas britânicas (St. Martin's School of Art, Centre School of Art e Camberwell School of Art"), em 1950 é titulada em pintura e design onde dois anos depois imigra para o Brasil lecionando arte na escola britânica de São Paulo.  
  Apaixonada pela beleza das Flores tropicais, realiza pesquisas de espécies na devastada mata atlântica onde a sua alma expedicionária a levaria mais tarde, por 15 vezes ao coração da amazônia! No interior da floresta, lança o seu olhar diante de uma tela e guache com uma técnica admirável. Mais do que arte, o seu trabalho transbordou para o meio científico tornando-se uma retratista botânica de grande envergadura e importância para a preservação de espécies raras e ameaçadas da flora brasileira, talvez das mais importantes do século XX!  
   Através do seu olhar, tivemos a oportunidade de apreciar espécies até então desconhecidas e raras como a flor-do-luar*...

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“Entramos na floresta sozinhas, seduzidas por um campo de plantas maravilhosas: pontas brilhantes e vermelhas de Heliconia glauca" 

  "A bela orquídea Gongora maculata, com sua longa inflorescência e seu poderoso perfume aromático, equivalente a centenas de lírios.”

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“Eu sei que minha morte não será o fim do meu trabalho. Onde quer que eu for, tentarei influenciar aqueles que estão destruindo nosso planeta. Assim a Terra terá uma possibilidade de sobreviver”

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    Margaret Mee morre tragicamente em um acidente de carro na Inglaterra no ano de 1988 e o seu trabalho permanece, seja pela Fundação Botânica Margaret Mee Amazon Trust, seja na história desta retratista botânica que levou a arte e a ciência para mais próximo de nós mortais e nos despertou e continuará a despertar a vontade de engajamento pelas mais nobres causas preservacionistas de nosso frágil eco-sistema; a mensagem de Margaret Mee foi um grito pela beleza e esplendor da vida! Às flores as disseram...

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   Margaret também residiu no Rio de Janeiro, no bairro de Santa Tereza, onde em sua admirável técnica, retratava em muitos de seus trabalhos (450 telas ao todo) a paisagem ao redor de onde a flora erigia. Sua sensibilidade artística prevaleceria para os botânicos a noção de que as flores florescem e fenecem por um raro substrato ao redor, onde tudo faz parte de um micro eco-sistema. Margaret Mee traduzindo os sentimentos das flores.


    Nota* Flor-do-Luar ou da Lua
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   Uma flor que nasce e morre em uma única noite por ano sobre a luz do luar de uma lua cheia entre os igapós da amazônia... Mais parece uma lenda encantada. Este retrato ao lado é a flor tão rara, tão bela, tão tênue enfim revelada pelo olhar de Margaret Mee!  

   A Flor do Luar...


     Margaret Ursula Mee
         (1909-1988)







http://www.escrituras.com.br/livro.php?isbn=8575313817

 

Artigo da autoria de Márcio Costa.
Jogo xadrez desde que nasci; não sou mestre, mas com paciência vou ganhando os espaços até um objetivo. Se ganho pouco aprendo, se perco terão nestas minha dedicação maior para corrigir os erros pelos caminhos. Empatar? Não penso, não há graça no meio termo. Cada jogo tem a sua história, início, meio e fim. Estou a falar da vida ou do xadrez, das pessoas ou das estatuetas de Caissa? .
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